Lojas a menos ou a mais?

Na minha opinião, subsistem poucas dúvidas de que a Marinha Grande está num processo de definhamento progressivo e de difícil reversão. Um dos principais indícios – mas não o único – em que baseio esta minha observação, consiste no elevadíssimo número de lojas vagas que encontramos na nossa cidade, sinal aparente da falta de capacidade da Marinha Grande (seja ela económica ou conjuntural, política ou estrutural, social ou cultural, ou de outra natureza qualquer) em sustentar o chamado pequeno comércio.

Esses espaços vazios, muitas vezes inacabados ou em mau estado de conservação, tornam a Marinha Grande menos bonita e dão-lhe um ar de cidade doente, triste e sem vida. Ora, por norma, as pessoas não gostam de fazer compras em locais feios, tristes e sem vida, preferindo percorrer uma dúzia de quilómetros e ir fazer as compras a Leiria (mais particularmente ao shopping), do que comprar aos comerciantes da sua terra, o que cria um círculo vicioso difícil de romper. Menos compradores implicam menos lojas em funcionamento e menos lojas atraem menos compradores.

Teremos porventura, e para a nossa dimensão, demasiados espaços disponíveis destinados ao pequeno comércio, o que faz com que os comerciantes, quase inevitavelmente, estejam muito dispersos pela cidade, não havendo como que um ponto aglutinador onde as pessoas possam encontrar, porta com porta, praticamente tudo aquilo que procuram.

Ao invés, o que vemos muitas vezes é uma loja em funcionamento no meio de três ou quatro outros espaços sem ocupação. Isso cria uma «má vizinhança» à loja que está em funcionamento e afugenta os seus potenciais clientes. Por outro lado, se preciso do carro para ir do pronto-a-vestir para a mercearia, ou do quiosque para a frutaria, ou do talho para a cabeleireira… então vou mesmo ao shopping!

Bem sei que também existem centros e galerias comerciais na Marinha Grande. Locais onde seria expectável encontrar quase todo o tipo de lojas num mesmo espaço. O problema é que são tantos que nenhum está em pleno funcionamento ou com plena taxa de ocupação. Uns porque têm boas acessibilidades mas são antigos, outros porque são novos mas não têm lugares de jeito para os carros, outros porque ficam demasiado perto dos anteriores, outros por outras razões quaisquer. E, mais uma vez, as muitas lojas fechadas nesses locais não proporcionam um «clima» propício a ir passear a ver as montras e, quem sabe, comprar uma ou duas coisas lá para casa.

Há muitos anos atrás, o centro histórico funcionava como centro do pequeno comércio da nossa terra. Nas manhãs de sábado era notória a azáfama com que o reboliço do mercado contagiava aquelas ruas e as suas lojas. Sapatarias, drogarias, ourivesarias, livrarias, jornaleiros, fotógrafos, prontos-a-vestir,  pastelarias, e sei lá que mais. Mas, por variadíssimas razões que não adianta estar aqui a elencar,  atualmente isso já não se verifica. Mais recentemente parece que se tentou criar uma nova centralidade para a Marinha Grande – ali para os lados das traseiras das Finanças – com espaços verdes, parque infantil e de lazer, centro comercial amplo, novo e bonito, e até mesmo o novo Mercado Municipal. A ideia até parecia ter os seus méritos mas, visto assim por quem nessa altura não era de cá, houve alguém que fez asneira da grossa, não? Ponto atual da situação: um centro histórico que deixou de reunir condições para continuar a ser o que foi outrora, e um novo centro que não conseguiu sequer sê-lo.

O futuro do pequeno comércio, em geral, apresenta-se pouco risonho e, no caso da Marinha Grande em particular, ainda mais sombrio aparenta ser. Como se poderá reverter esta situação e voltar a sentir, nas nossas ruas, o fervilhar das multidões às compras? Certo é que a Marinha Grande tem lojas em atividade a menos e lojas fechadas ou vazias a mais.

Publicado em Geral, Nelson Gomes | Tags | 8 Comentários

O Galo vai mesmo cantar

Há uns dias tinha aqui vindo refletir sobre o PSD local e anunciei, no final do texto, que o candidato social-democrata dava nome à principal avenida da cidade. Está confirmado, pelo menos pela Concelhia. Recordo-me que alguém aqui veio sugerir que Galo (o apelido do candidato é mesmo assim que se escreve), afinal, se escreve com dois L e não apenas com um. Enfim…
Preciosismos à parte, a política local começa a preocupar-me. Há anos que acompanho eleições locais e há muito que não assistia à dificuldade que os partidos sentem em identificar candidatos capazes de liderar o município. Aliás, temos um problema de liderança, que é transversal não só na política como no associativismo, já para não falar das associações sindicais e empresariais. Se formos ao distrito, temos o mesmo problema: quem é o verdadeiro líder da região, aquele que pode dar um murro na mesa e “forçar” o Governo a pensar, pelo menos, na abertura da Base Aérea de Monte Real à aviação comercial?
Mas para que servem as lideranças?
Servem para nos levar a pensar nos caminhos a seguir, para tomar decisões muitas vezes difíceis, envolver as forças vivas na resolução de problemas, ter a serenidade em momentos de crise, de nos representar no país e no mundo, mas sobretudo que reúna consensos e que sobreponha os interesses do concelho aos interesses dos partidos ou dos grupos que representam.
Há na Marinha Grande alguns homens e mulheres capazes de o fazer mas estão tão ocupados com a sua vida que nem sequer ponderam tal possibilidade. Esta semana liguei a um desses homens, no âmbito profissional, e a resposta foi lacónica: “política nunca”.
Esta afirmação deve levar-nos a refletir sobre o que pretendemos para a nossa terra e quem são as pessoas melhor preparadas para, de quatro em quatro anos, representar-nos na casa que já foi amarela e hoje é cinzenta.
Uma nota final: como independente que sou, sem qualquer filiação partidária, não serei candidato a nenhum órgão autárquico, não por comodismo, mas por falta de jeito.

Publicado em António José Ferreira, Geral | 2 Comentários

Monte Real: um desígnio da Região

O aeroporto Humberto Delgado (Lisboa) aproxima-se rapidamente do seu limite de capacidade para dar resposta às necessidades de tráfego aéreo. A discussão sobre a necessidade de uma alternativa já não é recente e já teve avanços e recuos sucessivos, sem que se tenha chegado a uma definição clara do que se pretende fazer, considerando os desafios globais que o País tem pela frente nas próximas décadas!

Pensar a localização de um futuro aeroporto não pode apenas servir para responder às necessidades imediatas de sobrelotação do aeroporto da Portela, ou às ambições geoestratégicas de Lisboa (Metrópole)!

Portugal não é apenas Lisboa e as acessibilidades (transportes colectivos de passageiros e mercadorias) não podem ser pensadas apenas para satisfazer as necessidades de uma região, ou de uma metrópole, negligenciando o resto do país, agravando assim o fosso existente entre territórios.

A coesão social e territorial afirma-se nestas decisões. Ou afasta-se quando as mesmas não consideram a realidade global do território nacional e a sua diversidade, promovendo o centralismo e o benefício dos mesmos de sempre.

Recuperando as palavras do Presidente da Associação Nacional de Municípios, e Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, a interioridade (a que se associa a desvalorização e desertificação dos territórios) existe também no litoral e é preciso combatê-la!

A Região Centro (NUTS III) tem grandes Centros Urbanos que vão do litoral ao interior (Aveiro, Coimbra, Pombal, Leiria, Marinha Grande, Caldas da Rainha, Torres Vedras, Viseu, Guarda, Castelo Branco, etc.).

A par da modernização da Linha do Oeste, em toda a sua extensão, articulada com o investimento já previsto para os Portos de Figueira da Foz e Aveiro, e corredor ferroviário norte (Aveiro-Vilar Formoso), a abertura da BA5 à aviação civil constitui um desígnio para o qual nenhum de nós se deve deixar de sentir chamado a contribuir, porque desta estratégia depende o desenvolvimento futuro do nosso Município e, consequentemente, novas oportunidades e maior qualidade de vida para todos!

Papa JPII em Oração na Capela da Unidade

Papa JPII a sair do Böeing da TAP que o trouxe de Roma até Monte Real (1991)

A visita do Papa Francisco a Portugal em 12 e 13 de Maio usando a BA5 como terminal de chegada/partida, à imagem do que aconteceu em 1967 com Paulo VI e em 1991 com João Paulo II, é por isso mesmo uma oportunidade ímpar para que todas as forças vivas da Região se unam na defesa desta iniciativa já formalizada numa Petição Pública!

 

Dia 12 de Maio vamos dar as boas vindas ao Papa Francisco e, já agora, dizer ao nosso Governo que queremos uma aerogare em Monte Real!

No que à Marinha Grande, particularmente, diz respeito, seria muito oportuno se Autarcas, Empresários dos diferentes sectores, Associações representativas da Sociedade e Cidadãos se unissem a uma só voz para reclamar do Governo a oportunidade de se colocar Monte Real em alternativa ao Montijo.

Pensar e(m) Grande, pensar a Marinha Grande é necessariamente pensar as estratégias regionais em matéria de transportes e acessibilidades, estabelecendo redes de influência junto da Administração Central para defesa dos superiores interesses da Região.

Publicado em Nelson Araújo | Tags , | Comentários fechados em Monte Real: um desígnio da Região

Politica e Politiquices

Sempre gostei de politica.

A politica é a nossa vida. A longo prazo, define onde trabalhamos e vivemos, em que condições trabalhamos e vivemos, define o que é certo e o que é errado, e define o que é justo e o que é injusto.

Acredito que muitos dos nossos políticos eram jovens que também gostavam de politica e tinham uma ideia de como deveria ser a sociedade e que queriam corrigir a realidade atual.

Normalmente, a história repete-se. Entram numa juventude partidária ou num determinado partido com muitas ideias e muita vontade. Começam por lutar contra um status quo dentro da estrutura partidária, e por consequência ou adaptam as suas ideias ao partido ou dificilmente ascendem a posições onde possam levar à prática algumas das mesmas. Pelo caminho vão fazendo compromissos e negociações e cedências e no final muito pouco se altera. As pessoas resistem à mudança e a sociedade (e os partidos) são aglomerados de pessoas onde essa a resistência é forte.

Nos sonhos as pessoas mudam os partidos, na realidade os partidos mudam as pessoas.

Quando a nossa camara municipal está dividida entre vários partidos, teoricamente os marinhenses beneficiariam de um conjunto de propostas de todos os quadrantes. Na prática, muitas vezes a camara fica presa a desperdícios de tempo e energia nas lutas politicas, e por razões muitas vezes apenas partidárias não conseguimos compromissos de longo prazo que ultrapassem os mandatos dos autarcas.

O Cristal Atrium, o Estadio, a Piscina, o Mercado, o Teatro Stephens, a ideia de uma circular à Marinha, entre variadíssimos outros são temas que importam aos marinhenses mas que existe dificuldade em conseguir consenso politico na Camara.

Porque é difícil definir o que é melhor para a Marinha? Ou porque muitas vezes o interesse do partido é mais forte do que o interesse da Marinha? Cada partido tem muitas vezes como objetivo desvalorizar a sugestão do outro independentemente do seu mérito, ou seja politiquices.

Posso gostar de politica mas não gosto de politiquices…

 

Publicado em Geral, Ricardo Macedo | Comentários fechados em Politica e Politiquices

Licença de utilização.

Passei hoje na Av 1º de Maio e esta casa neste momento já tem grades no passeio, possivelmente por representar um perigo para os peões.

Estou-me a referir a esta em particular porque a acabei de ver, mas podia colocar aqui dezenas de fotos de casa no centro da Marinha que se encontram no mesmo estado.

Será que não há nada a fazer? Possivelmente com a legislação existente atualmente não há!

Posso dar o meu exemplo.

Os meus pais herdaram duas pequenas casa que o meu avô construiu propositadamente para alugar, na altura pensava que seria uma boa fonte de rendimento.

Uma das casas foi arrendada a uma família que só a deixou há pouco anos. A casa neste momento está habitável mas não perante a lei.

Como não tem licença de utilização não pode ser arrendada nem vendida, para ter licença de utilização tem que ter obras de acordo com a legislação atual.

Ficamos num impasse, vamos fazer obras de fundo, caras, para tentar vender? E se não há comprador? Vamos fazer obras simples só para ter licença? e depois quem compra vai ter de refazer tudo o que foi feito porque quer a casa com mais condições? Fazemos nós obras para arrendar? Mas o valor das obras só será recuperado dentro de 10 anos ou mais e possivelmente nessa altura a precisar de novas obras.

Resultado, lá está a casa até cair!

Imagino que seja algo do género que se passa com muitas das casas abandonadas da terra, é isto que diz a legislação, pode ser que sim, que podia haver um gabinete de atendimento e encaminhamento de todos os estes proprietários no sentido de encontrar a melhor solução, sim devia, era obrigatório! Neste momento só para saber o ponto da situação são umas centenas de euros que se pagam para levantar plantas, processos, isto só para poder ir à primeira reunião com os técnicos em data a marcar.

Estas dezenas ou centenas de euros são para pagar fotocopias de processos existentes, é algo que na verdade custa cêntimos à Câmara que prestando este serviço gratuito significaria uma despesa irrisória ao fim do ano.

Ainda devia fazer mais, devia identificar os proprietários, convida-los a  ir ao gabinete de apoio e apresentar-lhes todas as soluções possíveis para ultrapassar as contingências legais.

Publicado em Carlos Carvalho, Geral | 5 Comentários

Cidade(s) em Rede

Para os mais distraídos pode parecer que a(s) nossa(s) Cidade(s) existe(m), se constroem, numa ausência de relação com outras Cidades que lhe(s) são mais próximas, seja territorialmente, seja por afinidades socioculturais, económicas ou mesmo politicas!
Nunca foi assim. A Marinha Grande tem, por exemplo, laços constituídos, que não podem ser ignorados, com diversas Cidades com quem formalizou Acordos de Geminação e Cooperação:
– Fundão (Portugal)
– Montemor-o-Novo (Portugal)
– Oeiras (Portugal)
– Oliveira de Azeméis (Portugal),
– Salvaterra de Magos (Portugal)
– Vila Real de Santo António (Portugal)
– Tarrafal (Cabo Verde)
– Granja de San Ildefonso (Espanha)
– Fontenay-sous-Bois (França)

Além destas, outras Cidades mais recentemente, manifestaram já o seu interesse e disponibilidade para formalizar novas parcerias, como é o caso de São Bernardo do Campo – São Paulo (Brasil) e Hattiesburgh – Mississipi (EUA).

A Marinha Grande integra ainda diversas outras parcerias como a Rede Intermunicipal para a Cooperação e Desenvolvimento de que foi alias cofundadora em Março de 2013.

Em todas estas realidades a Marinha Grande tem, por direito e dever próprio, uma voz ativa, promovendo e partilhando as suas mais valias em áreas tão distintas como a Educação, a Economia, a Inovação Social, a Cooperação Internacional, etc.

Mas, sem qualquer duvida que a mais importante rede na qual se insere o Município é a própria Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), constituída em 2013 e que veio substituir a anterior Comunidade Intermunicipal do Pinhal Litoral (CIMPL) por reforma administrativa da Lei 75/2013.
A CIMRL é constituída por 10 dos 16 Municípios do Distrito de Leiria: Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.

É ao Conselho Intermunicipal (constituído pelos Presidentes de Câmara) que compete discutir e aprovar, nos termos da Lei, todos os programas de acção e projectos de intervenção que sejam comuns aos 10 Municípios, não havendo, teoricamente, nenhuma área da competência administrativa dos Municípios que não possa ser concertada em sede da Comunidade Intermunicipal. De resto, foi em sede da CIM que foi aprovado o Pacto para o Desenvolvimento e Coesão Territorial para a Região de Leiria no período 2014-2020 que sustenta a contratualização feita com a Autoridade de Gestão do Programa Operacional do Centro (CCDR-C) no âmbito do novo Quadro Comunitário – Portugal 2020.

Neste Pacto o Município da Marinha Grande teve a oportunidade de inscrever os seus investimentos próprios pretendidos de acordo com regras pré-estabelecidas e aceites por todos os Municípios com o pressuposto de que estas asseguram a equidade e a coesão territorial na distribuição dos referidos fundos.

Decorrente do Pacto contratualizado a CIMRL tem trabalhado em diversas frentes comuns, entre outras:
– Programa Intermunicipal de Combate ao Abandono e Insucesso Escolar – Educ@
– Programa Intermunicipal de Prevenção de incêndios e outras catástrofes naturais
– Programa Intermunicipal de Promoção do Turismo – Leiria, Região de Maravilhas
– Programa Intermunicipal de Promoção da Cultura em Rede – Leiria, Rede Cultural
– Programa Intermunicipal de Apoio ao Empreendedorismo. Este Programa, iniciado no actual mandato 2013-2017, pelo seu sucesso foi convidado a integrar o Programa Europeu URBACT
– Programa Intermunicipal de Modernização Administrativa

O nosso Município integra ainda a ENERDURA – Agência Regional para Energia da Alta Estremadura com quem trabalha no âmbito dos projectos de eficiência energética em edifícios e equipamentos públicos, além da rede de iluminação pública, com recurso aos fundos comunitários disponíveis neste âmbito.

Mais recentemente foi criada a Rede Intermunicipal de Museus da Região de Leiria, o que constitui mais um exemplo de trabalho comum.

Não se pode assim dizer, sem mais, que a Marinha Grande precisa de ter uma voz activa na CIMRL (não CIMPL) ignorando que a Marinha Grande JÁ TEM uma voz activa em diversas plataformas de cooperação intermunicipal e que é dessas plataformas que tem colhido desde sempre mais-valias para o seu desenvolvimento.

O que poderá sim ser questionado é se estamos a ser capazes de absorver e de rentabilizar tudo quanto nos é proporcionado, sendo que se poderá aqui aplicar a teoria do copo cheio ou meio vazio.

No caso eu prefiro ter um olhar que engloba as duas perspectivas, ou seja, já colhemos muito, já fazemos bastante, mas seguramente que poderíamos colher a fazer muito mais ainda, se soubermos potenciar as sinergias que se podem criar a partir dos laços que nos unem aos diferentes territórios referidos acima e que vai muito para além da própria CIMRL.

Pensar (e)M Grande, pensar a Marinha Grande é necessariamente pensar a nossa relação com os nossos parceiros territoriais estratégicos, não numa lógica de competição (fratricida) mas de parceria e complementaridade, porque só unidos venceremos os desafios das próximas décadas!

Publicado em Nelson Araújo | Tags , , , | 3 Comentários

Uma boa notícia para a Marinha Grande e não só….

As relações entre os vários executivos  da Câmara da Marinha Grande e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) nem sempre têm sido as melhores, aliás, direi mesmo que têm sido, em alguns momentos, pouco amistosas. Não tenho um conhecimento detalhado do muito que tem acontecido, como tal, não me sinto com autoridade para apontar culpados.

Alguns exemplos que podem retratar esta animosidade são evidentes em algumas polémicas recentes, por exemplo, a não realização do “Pinhal das Artes”, um evento emblemático na nossa região, pequenas obras necessárias realizadas pela Junta de Freguesia que são abruptamente interrompidas pelo ICNF, bem como entraves sistemáticos relativamente à atuação da Câmara em várias situações.

A entrevista do Ministro do Ambiente este fim-de-semana ao jornal Expresso pode pronunciar uma boa notícia para a resolução de alguns entraves e desentendimentos entre as duas instituições atrás referidas. Refere o Ministro que “ Nos parques naturais haverá uma alteração do modelo de gestão. (…) Vão continuar a existir diretores regionais do ICNF, mas haverá uma direção em cada parque natural que será presidida por um autarca, com a responsabilidade de olhar aquele território como um ativo que deve ser promovido e o ICNF manterá as funções de preservação da natureza”.

Afirma ainda que, esta nova gestão, será feita mediante regras. Assim, defende que “as direções vão ter três pessoas: um autarca, um representante do ICNF e alguém de uma organização não-governamental ou de uma universidade”. No caso de haver mais do que um município envolvido, serão os próprios autarcas a escolher o seu representante neste órgão de gestão.

À semelhança desta nova atitude relativamente aos parques naturais, também a gestão das matas nacionais devia ser olhada nesta perspetiva de interligação entre o ICNF e as autarquias. Para que tal aconteça, era importante que as autarquias desenvolvessem o seu poder de influência junto do governo central para que este modelo possa ser extensivo e abranger, deste modo, a gestão das matas nacionais.

Na minha perspetiva, esta pode ser uma boa ideia para que o Pinhal do Rei, que ocupa 60% do território da Marinha Grande, possa trazer ao Concelho oportunidades que até aqui não tem sido possível pôr em prática, atividades que continuem a preservar o ambiente e potenciem a sua utilização, nomeadamente, na área do Turismo, Lazer, Desporto e a intervenção urgente nas estradas da mata, contribuindo assim para um maior desenvolvimento do Concelho, tornando-o um ponto de referência nos destinos a visitar.

 

Publicado em Elvira Ferreira | 1 Comentário

Inquietação

É provavelmente a inquietação que nos faz andar por aqui. Envolvermo-nos, comentarmos, intervirmos. A inquietação faz brotar o sonho. Talvez como expressão de vontade de transformação. Não poucas vezes, como expressão de revolta.

É a capacidade de inquietação que distingue os seres humanos. Os que verdadeiramente se inquietam. Os que, como “uma nêspera que estava na cama, deitada, muito calada, a ver o que acontecia”… E os que fazem de conta que se inquietam…

Adoro as pessoas que se inquietam! Mesmo que não seja pelas mesmas coisas que eu me inquieto… “Cá dentro inquietação, inquietação”…

Inquietemo-nos pois, porque mesmo num mundo com demasiadas “nêsperas” e falsários, “há sempre qualquer coisa que está para acontecer!”

Publicado em Paulo Tojeira | Comentários fechados em Inquietação

Rede de Museus da Região de Leiria

No passado dia 01 (quarta-feira) foi apresentada e assinada a Carta de Princípios que constitui a Rede de Museus da Região de Leiria.

Uma iniciativa que decorreu de uma decisão do Conselho da Comunidade Intermunicipal (constituído pelos Presidentes de Câmara dos 10 Municípios da CIM)  e que corresponde à visão que têm os Autarcas desta Região sobre o futuro próximo dos seus Territórios no que respeita, no caso, à promoção da sua oferta Cultural (e por associação do Turismo).

Não é caso único, nem primeiro, de trabalho em rede dos 10 Municípios. A conjugação de sinergias e a partilha de recursos entre Territórios é uma mais-valia e um desígnio do futuro incontornável, em todos os níveis.

Este caso tem a particularidade de ser a primeira Rede de Museus criada a partir da realidade territorial de uma CIM e, assim sendo, constitui-se como um exemplo que poderá ser seguida por outras CIM, quer da Região Centro quer do resto do País.

A Marinha Grande faz parte desta Rede com os seus Museus Municipais:

  • Museu Joaquim Correia
  • Casa Museu Afonso Lopes Vieira
  • Museu do Vidro (inclui o NAC)
  • Núcleo do Futuro Museu dos Moldes

Ao integrar esta Rede temos a possibilidade de potenciar a atractividade dos nossos espaços museológicos junto das populações dos outros 9 Municípios, além de termos a possibilidade de fazer um intercâmbio que nos permita levar/receber diferentes exposições!

Será importante no entanto que, ao integrar esta Rede, tomemos consciência de que tal nos traz responsabilidade acrescida na gestão dos nossos equipamentos culturais dotando-os de mais e novas ferramentas que respondam às exigências/necessidades de públicos diferenciados: crianças e jovens (população escolar), adultos e terceira idade, cidadãos com mobilidade ou outras condicionantes.

Um Museu, por ser normalmente um espaço que nos fala do passado, não tem de ser necessariamente um espaço morto, parado no tempo… deve ser capaz de se adaptar às novas realidades e comunicar de um modo ajustado aos diferentes públicos sendo ao mesmo tempo um espaço educativo!

Como referia a Senhora Directora Regional da Cultura do Centro os Museus hoje são o espaço por excelência onde se pode ensinar/transmitir às novas gerações a identidade sócio-cultural (quem fomos, quem somos, de onde vimos, etc…) de um Território!

Pensar (e)M Grande, pensar a Marinha Grande, é também pensar a sua oferta Cultural não apenas aos Munícipes mas também a todos aqueles que nos queiram visitar, construindo uma oferta integrada (que considere o conjunto de núcleos museológicos existentes),  diversificada (considerando a própria matriz de cada um dos espaços) e adaptada (considerando os públicos-alvo de cada núcleo).

Publicado em Nelson Araújo | Tags , , , | 2 Comentários

Programa de apoio ao Emprego e Empreendedorismo de costas voltadas para “O grande Laboratório da Indústria 4.0”

É conhecida, por muitos de nós, a recente visita ao Instituto Politécnico de Leiria (IPL) do 1.º Ministro, do Ministro da Economia e do Secretário de Estado da Indústria para fazerem o lançamento do Programa “Indústria 4.0 – Economia Digital”

Pelo que foi relatado pela imprensa, o 1.º Ministro António Costa referiu que “o IPL é um exemplo na área da investigação e de aproximação às empresas, inserindo-se numa região com tecido empresarial dinâmico e com capacidade de absorver o conhecimento”.

Estou certa que esta referência à região tem em conta o contributo que as empresas sediadas na Marinha Grande podem dar a este Laboratório. Temos empresas de excelência, temos profissionais altamente qualificados, temos empreendedores que apostaram há muito na Indústria 4.0.

O que falta então fazer?

Falta-nos uma Câmara 4.0 que acompanhe este dinamismo e este desenvolvimento e seja também ela impulsionadora de Programas e Regulamentos que contribuam para uma Marinha Grande de referência a nível nacional e internacional.

Vem tudo isto a propósito do recente chumbo da proposta do Executivo PS – Programa de Apoio ao Investimento Industrial no concelho da Marinha Grande: 2017 e a aprovação, da Proposta apresentada pelo MpM e CDU – Programa de Apoio ao Emprego e Empreendedorismo no Concelho da Marinha Grande até 2020. A grande alteração desta proposta aprovada relativamente à proposta PS chumbada, é a abrangência das áreas a atingir, ou seja, não apenas a Indústria, como queria o PS, mas também o comércio, serviços ou outra de especial relevância, não especificando o que entendem por especial relevância, pode ser tudo, ou não ser nada. É um Programa pobre, pouco audaz, redutor não havendo nenhuma referência ao que comanda hoje o mundo: Tecnologia.

O Programa apresentado no IPL de Leiria “Indústria 4.0 – Economia Digital” tem inerente o apoio ao emprego com elevado grau de qualificação e como referiu o Ministro da Economia “deve ter uma grande ligação à educação”.

Na Zona Industrial da Marinha Grande funciona o Centro para o Desenvolvimento Rápido e Sustentado de Produto que contribui para o desenvolvimento científico e tecnológico, tendo investigadores que ali desenvolvem projetos ligados aos seus doutoramento e pós-doutoramentos.

Na minha perspetiva, tendo esta mais-valia no Concelho e o papel relevante que desempenha, seria expectável que o Programa de Apoio ao Emprego e Empreendedorismo aprovado contemplasse o apoio aos investigadores que pertencem a este Centro. Nada refere em termos de apoios a este Centro. Em contrapartida, o Programa apresentado pelo vereador Carlos Logrado previa, entre outras propostas: (i) atribuição de um subsídio, não reembolsável, a novas empresas startup de base tecnológica que possam emergir de resultados científicos e tecnológicos das Entidades do Sistema Cientifico e Tecnológico Nacional e Internacional (ESCTNI) pela criação efetiva de postos de trabalho para investigadores ou bolseiros de investigação oriundos de ESCTNI e contrato sem termo e a tempo inteiro após os primeiros seis meses de trabalho; (ii) isenção total de todas as taxas municipais associadas à habitação permanente de investigadores ou bolseiros de investigação, oriundos de ESCTNI, com residência fiscal e atividade no concelho; (iii) concessão de passe gratuito para os transportes públicos municipais (TUMG) aos
investigadores ou bolseiros de investigação, oriundos de ESCTNI, com residência fiscal
e atividade no concelho. Verdadeiramente, este apoio vai para além de 2020 e seria um contributo relevante ao apoio ao desenvolvimento tecnológico.

É preciso sermos mais audazes. O FUTURO dirá o quanto se tem errado nesta política de casinhas individuais em detrimento dum bem maior – Marinha Grande apoia a “Indústria 4.0 – Economia Digital” criando condições atrativas para a formação de quadros altamente qualificados e para que os investigadores que aqui desenvolvem os seus trabalhos fixem residência no concelho com todos benefícios daí inerentes.

Publicado em Elvira Ferreira | Comentários fechados em Programa de apoio ao Emprego e Empreendedorismo de costas voltadas para “O grande Laboratório da Indústria 4.0”