Os 100 anos do concelho da Marinha Grande e o “Elucidário do Pinhal do Rei”

A Marinha Grande comemora 100 anos da restauração do concelho em 2017, tendo em 26 de março último, dia da tomada de posse da Comissão Instaladora do concelho há 100 anos atrás, havido um dos pontos altos do evento que incluiu a apresentação pública do livro “Elucidário do Pinhal do Rei”, da autoria de um dos mais ilustres Marinhenses, Gabriel Roldão. Pelo facto estão de parabéns a Câmara Municipal, o Autor e todos aqueles que proporcionaram a publicação.
Se dúvidas ainda houvesse sobre a relação umbilical entre a Mata Nacional e a Marinha Grande elas desaparecem com a presente publicação, pois esta dá nota da intimidade intrínseca e indissociável entre a Mata e os Marinhenses.
Na verdade as origens da Marinha Grande confundem-se com a fixação dos trabalhadores da Mata Nacional em seu redor, designadamente aquando da epopeia dos descobrimentos que obrigou ao abate de sensivelmente metade do arvoredo então existente para a construção das naus e caravelas.
Depois a vinda da indústria do vidro para a Marinha Grande, por aqui haver além de areia lenhas em abundância da Mata Nacional cedidas a Guilherme Stephens pelo Estado, é outro marco referencial e determinante.
Mas foram, também, as múltiplas cedências de terrenos para São Pedro de Muel e para a Praia da Vieira (povoações que há 200 anos não existiam), para os parques de campismo, para os terrenos de cultura de Vieira de Leiria (talhos) há 1 século atrás – hoje em dia transformados e integrantes da malha urbana -, para os parques de merendas e os percursos pedestres, para a construção de escolas e de pavilhões, para a captação da água consumida pelos Marinhenses, para uma ETAR, para um mercado, até, em tempos, para uma lixeira!
E que dizer dos eventos sociais, das profissões, do trabalho que a Mata Nacional proporcionou e proporciona, das lenhas outrora fonte de combustível das casas e das fábricas da Marinha Grande, da madeira, dos espaços desportivos e de lazer, dos matos, da caça, para além da fonte inspiradora que a Mata Nacional tem sido para poetas e artistas?
Que outro concelho do país pode afirmar ter 60% do seu território ordenado desde 1882, um espaço considerado “monumento vivo” e “mata modelo”, que foi escola de referência de florestais nacionais e estrangeiros, que disponibiliza ao mesmo tempo e sustentadamente, paisagem, história, trilhos, madeira de qualidade ímpar e outras matérias-primas, um litoral de excelência e condições ambientais únicas que tão bem podem complementar a atividade industrial e a enorme capacidade empreendedora dos Marinhenses?
O “Elucidário do Pinhal do Rei” ficará como obra de referência e de consulta para todos aqueles que pretendam conhecer melhor a Marinha Grande.
É caso para dizer, obrigado Mata Nacional, obrigado Gabriel.

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