A verdade ou o que a população quer ouvir?

Tenho que começar por declarar que até aparecer outro modelo melhor, a decisão maioritária ainda é o melhor processo democrático, apesar dos seus defeitos.

Feita a declaração, e porque vamos entrar em fase de campanha lembrei-me da Drª Manuela Ferreira Leite , até porque a ouço com regularidade na TV, quando ela declarou que em alguma situações dava jeito interromper a democracia por um período de 6 meses. Eu percebi o que ela quis dizer. Se bem se lembram estava na fase de campanha para a liderança do PSD contra o Paços Coelho, ela dizia o que achava que estava correto para o pais, ele dizia o que a população queria ouvir, no fim ganhou ele e fez muito pior que aquilo que ela se propunha, e muito provavelmente se fosse ela a líder do partido teria corrido tudo muito melhor. (Mais uma declaração de intenções, nunca votei PSD, nem penso votar).

Para mim faz sentido, como modelo meramente teórico, a ideia que se podia de vez em quando fazer uma pausa na decisão por maioria, na verdade nem sempre as maiorias têm razão, se calhar até me arrisco a dizer que muitas vezes não têm razão, e num processo de eleições, ganha a maioria.

Vejam a questão das audiências nas TVs , quais são os programas mais vistos?

Mas é por esta necessidade de agradar às maiorias, porque é isso que dá votos e ganha eleições, que muitos dos políticos que têm como único objetivo ganhar, numa logística futebolística de que nem que seja com a mão o que interessa é que seja golo, fazem campanhas que nada têm a ver com o que será a sua governação caso ganhem, estando contudo conscientes disso.

Parece que ganhar não é definitivamente o sinonimo de dizer a verdade, e o que é que interessa mais?  ganhar, ou ter a consciência tranquila que disse a verdade e se deixou à população a decisão de acreditar nos que se propõem?

Todo  este processo acaba por ser um ciclo vicioso, vota-se naqueles que dizem o que queremos ouvir mas depois não acreditamos nos políticos porque eles nos mentem.

Vamos ver o que acontece na Marinha Grande nestes próximos meses.

Porque é obrigatório Pensar e(M) Grande.

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Uma resposta a A verdade ou o que a população quer ouvir?

  1. António Silva diz:

    Uma boa reflexão em que eu diria mais qualquer coisa.

    Normalmente, a verdade não é muito muito bem tratada pelos políticos. Quando se descobre que afinal não era verdade pode já ser tarde, o estrago já está feito.
    Para avaliar os políticos é bom que, além das palavras, as pessoas escrutinem os seus actos, o estilo de vida, o comportamento profissional, a forma como se comportaram enquanto cidadãos nas actividades de carácter politico, entre outros aspectos do seu passado. A compatibilidade com o que dizem, com o que fazem, com os ideais que dizem defender e com a integridade das pessoas com quem se relacionam, diz muito acerca de cada um.
    Mas não duvidem que a democracia ainda é a forma menos imperfeita. Até há alguns que se dizem democratas e defendem ideais aplicados em países que sabemos que são autenticas ditaduras e longe da democracia, mesmo a mais imperfeita.
    São apenas algumas dicas para avaliarem, de entre os que se propõem governar o nosso concelho, aqueles que nos devem merecer a nossa confiança.

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