Xenofobia

xe·no·fo·bi·a
(xeno- + -fobia)
substantivo feminino
Aversão aos estrangeiros, ao que vem do estrangeiro ou ao que é estranho ou menos comum. = XENOFOBISMO

“xenofobia”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/xenofobia [consultado em 29-03-2017].

Xenofobia.
Não é apenas a aversão a culturas diferentes, é a aversão declarada a tudo e a todos os que são diferentes, os que não se enquadram nos nossos conceitos de “normalidade”, como sendo “um de nós”!

A Marinha Grande sempre foi uma «Cidade de Chegada»!
Com a plantação do Pinhal do Rei chegaram os trabalhadores florestais!
Com a Fábrica Real de Vidros chegaram os operários vidreiros!
Com as Garrafeiras e os Moldes chegaram ainda mais operários fabris!

Nestes 100 anos em que somos Concelho (mas ainda antes disso) sempre fomos uma Cidade plural, diversificada, tolerante, acolhedora!

Para muitos a Marinha Grande foi a realização do seu «sonho americano»: trabalho, prosperidade, estabilidade, segurança, bem-estar!

Hoje a Marinha Grande continua a receber de braços abertos inúmeras Pessoas dos “quatro cantos do mundo” e podemos dizer que somos uma Cidade multicultural, onde se cruzam origens e culturas diversas, con-vivendo, com-partilhando o mesmo espaço social, as mesmas ruas, as mesmas escolas…

Mas aqui e ali aparecem sinais contraditórios!

É o caso deste comentário «anónimo» num Blog conhecido de todos nós: o Largo das Calhandrices!

Não tenho nem nunca tive qualquer pré-conceito com aquele espaço, nem mesmo com o anonimato, sendo certo que cada opinião vale o que vale, e seguramente que quem precisa de esconder atrás de uma máscara para dizer o que pensa valerá bem menos que quem tem a frontalidade para dar a cara!

O que me incomoda neste comentário não é, por isso, o anonimato!
É o seu conteúdo!
Pode não ter sido essa a intenção do seu autor, mas é claramente um comentário xenófobo, desrespeitador dos mais básicos valores da Democracia!

Infelizmente na política, refiro-me aqui à política local, transparecem cada vez mais estes radicalismos, estes fundamentalismos, esta intolerância por quem ousa pensar diferente, por quem ousa denunciar inverdades (senão mesmo falsidades)!

Ninguém é detentor da Verdade!
Todos, mas mesmo todos, temos algum contributo válido a dar pela nossa Cidade!

A Política, no verdadeiro sentido da palavra, se não tem em si o sentido da Ética da Hospitalidade (que é muito mais que tolerar a diferença: é aceitá-la, é integrá-la!) não será nunca capaz de construir Cidades elas mesmas integradoras, acolhedoras, hospitaleiras!

E uma Cidade que não seja integradora, acolhedora, hospitaleira, está condenada a morrer!

Espero que os próximos meses, à medida que se for intensificando a campanha eleitoral, aqueles que são os líderes dos Partidos e dos Movimentos Políticos e Sociais tenham essa clarividência para incutir, pelo exemplo, os verdadeiros valores da Democracia, repudiando qualquer sinal contraditório disso mesmo!

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