Centro Saúde Marinha Grande (II) / USF

No texto que ontem publiquei coloquei a minha dúvida sobre a forma de pergunta. Será mesmo do SAP que necessitamos?

A resolução dos problemas relacionados com a prestação de cuidados de saúde no Concelho da Marinha Grande passa pelas anunciadas USF (Unidade de Saúde Familiar) https://pt.wikipedia.org/wiki/Unidade_de_Sa%C3%BAde_Familiar

Estas já não são novas e são de vasta concretização por todo o território nacional, e que, pelo que é conhecido, são uma boa solução para falta de médicos.

Em traços gerais, uma USF é um grupo de profissionais que em conjunto cuidam duma parcela da população. Na prática um doente não tem um médico de família mas sim um conjunto de profissionais de saúde, médicos, enfermeiros e administrativos prontos para o atender.

Estas unidades, quando bem dimensionadas, garantem toda e qualquer consulta a qualquer dos utentes, assim como as necessárias folgas e férias dos profissionais envolvidos.

Pela quantidade de profissionais elas podem funcionar de forma continua durante 12 ou ou mais horas o que permite a todos os utentes terem acesso a consultas quando delas necessitam. Seja estas previamente marcadas ou de caráter de necessidade surgida por doença súbita, carecendo de atendimento urgente (o que é muito diferente de urgência).

Estas USF permitiriam acabar com as necessárias, mas falsas urgências, em que consistem a grande maioria das consultas prestadas no SAP (Serviço de Atendimento Permanente). Com as USF a funcionar em pleno, os serviços a prestar pelo SAP passam a ser residuais e basicamente só ao fim de semana, ou em alturas de picos epidémicos de doença.

Mas mais importante ainda, é a garantia de que qualquer que seja o médico a atender ele conhece, ou pelo menos tem, no sistema informático, os dados sobre as maleitas, o que lhe permite poupar tempo e ir “direto ao assunto” no que ao utente diz respeito.

Este atendimento, além de ser mais pessoal do que o prestado em qualquer serviço de urgência ou SAP, permite gerir melhor os recursos disponíveis. Gestão que permite utentes mais satisfeitos, profissionais com maior disponibilidade e poupança de recursos financeiros.

Então porque não temos as previstas USF para o Concelho da Marinha Grande a funcionar?

Quando “(re-)acordei” para as responsabilidades cívicas e me preocupei em saber, se as USF’s eram assim tão boas, porque as não tínhamos?

Foi-me dito que, para as USF funcionarem no Centro de Saúde, eram necessárias diversas obras.

Obras que a ARS não fazia por falta de verbas, e que o município não se “chegava à frente” para as fazer. Entretanto estas obras têm sido anunciadas mas na realidade não chegam e sem elas não há USF’s.

Em vez de CUIDADOS DE SAÚDE temos um edifício que não sendo “idoso”, pelo aspeto, mais parece do século XIX do que do ultimo ¼ do século passado.

Estamos na era da robótica. Algo vai mal, muito mal, quando na discussão do nosso futuro, somos confrontados com a triste realidade de não termos melhores cuidados de saúde por causa do betão. O mesmo betão, que quase nos levou à ruína com a crise e austeridade que nos foram impostas.

Luiz Branco

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