Centro Saúde Marinha Grande (I) / URGÊNCIAS!

Na passada sexta feira (03/Março/2017) aconteceu mais uma manifestação em defesa do Centro de Saúde da Marinha Grande. Manifestação que, com muita pena minha por afazeres profissionais, não tive oportunidade de engrossar com a minha presença.

É indiscutível que, TEMOS de defender com “unhas e dentes” o SNS Serviço Nacional de Saúde.

Dito isto passemos ao texto. URGÊNCIAS! nome pelo qual é popularmente conhecido o SAP (Serviço de Atendimento Permanente). Manifestam-mo-nos em defesa do SAP do Centro de Saúde da Marinha Grande. Andamos a discutir o acessório em vez de defender o essencial.

Eu preferia que estivéssemos a discutir a saúde na Marinha Grande.

1º temos de acabar de vez com o mito URGÊNCIAS. No Centro de Saúde da Marinha Grande   N Ã O    H Á    S E R V I Ç O    D E    U R G Ê N C I A S.

Pergunto a quem, ao longo dos últimos anos, no concelho se deparou com necessidade de atendimento médico de urgência, e recorrendo ao 112, o que lhe aconteceu?

Façam um esforço de memória e vejam o que realmente sucedeu. Foi-lhes enviado o serviço de urgência através da unidade móvel, ambulância do INEM pintada de amarelo, que a nível nacional foi distribuída por algumas entidades entre elas os corpos de bombeiros, com a intenção de prestar os cuidados primários em caso de urgência, muitas vezes acompanhada pela VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação ).

Para onde foram encaminhados os doentes / sinistrados?Para o Centro de Saúde da Marinha Grande? Não.

Foram para o VERDADEIRO serviço de URGÊNCIAS, o do Hospital Santo André em Leiria.

Portanto Serviço de Urgências tem-mo-lo, de qualidade, a pouco mais de 10 Km (desejariam muitos Portugueses por esse país fora dispor de regalia igual).

Assim sendo pergunto, É DE UM SAP, sem equipamentos auxiliares de diagnóstico e geralmente sem medicamentos de administração urgente, QUE OS MARINHENSES PRECISAM? Na minha modesta opinião acho que não.

Seria interessante, dar a conhecer à população as realidades do SAP e do Centro de Saúde da Marinha Grande.

Seria interessante, divulgar os números dos doentes que recorrem ao SAP e quais as razões da ida.

Num dos +Café feito à quatro anos pelo +Concelho na sede da Ordem, dedicado ao tema, estiveram presentes profissionais de saúde que trabalham na Centro de Saúde. Na discussão foram divulgados números que deviam ser do conhecimento geral.

Ficamos a saber que a média de doentes que recorrem ao SAP entre as 24 e as 08 é EXTREMAMENTE BAIXA estamos a falar de unidades não de dezenas de pessoas, apenas unidades, em que muitas vezes a razão da busca de atendimento é por tudo, menos por necessidade de consulta médica.

Ficamos também a saber que a maior parte dos doentes, que frequentam o serviço entre as 18 e as 24, são pessoas que o fazem neste período por razões de trabalho ou pela impossibilidade de conseguir marcar consulta.

Ficamos ainda a saber que entre as 8 e as 18 horas a grande maioria (senão a totalidade dos utentes) procura o serviço, apenas por falta de vaga para consulta no seu médico de família.

Quem, até aos dias de hoje, recorreu ao Centro de Saúde para obter consulta e a conseguiu sempre? Eu arriscar-me-ia a responder por todos NINGUÉM!!!!!!

Ou porque o médico adoeceu, ou porque está de férias, ou foi a congresso, ou ainda porque está ou esteve de serviço no SAP e por aí fora, na prática o que interessa É QUE QUANDO REALMENTE NECESSITÁVAMOS O NOSSO MÉDICO DE FAMÍLIA NÃO ESTAVA DISPONÍVEL.

Então é mesmo dum SAP que necessitamos? Não será por causa deste serviço que estamos tão mal servidos de médicos?

Grande parte dos médicos de família, que exerciam no Centro de Saúde, saíram na vigência do anterior governo, o do Passos Coelho, por causa das medidas que eram anunciadas e foram tomadas (com vista à privatização do SNS) que os iriam penalizar gravemente. Também o desaparecimento prematuro de dois médicos afectou ainda mais.

Assim chegamos a que ¼ dos residentes, ou seja mais de 10.000 utentes ficaram sem médico de família.

A saída de uns, o retardar da entrada de outros, a manifestação de utentes em 2013, a constante pressão da Comissão de Utentes, levou a que, para acalmar (ou calar) a voz da população, a ARS (com certeza por orientação superior) fizesse um contrato com empresa privada para garantir o funcionamento do SAP, com médicos contratados e assim “tapar o sol com a peneira” da falta de médicos.

O contrato não foi renovado e a partir de 31 de Janeiro – CAOS VOLTOU!!!

Luiz Branco

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5 respostas a Centro Saúde Marinha Grande (I) / URGÊNCIAS!

  1. Natércia Magalhães diz:

    Concordo com tudo o que está neste texto!! Mas acrescento ainda que, tantas as vezes, não são os utentes, aqueles que precisam de cuidados médicos de emergência, que sabem de antemão a verdadeira urgência do seu episódio de saúde. Uma (simples) dor de cabeça numa pessoa aparentemente saudável pode, em tantos casos, representar o inicio dum avc, dum aneurisma…. e apenas os serviços médicos podem avaliar cada caso. Por isto, sinto que, para além das dificuldades de gestão (quase me atrevo a dizer, civilizacional) do sistema em vigor, uma forma real de triagem dos casos, também se é importante.

  2. Luiz Branco diz:

    Concordo com a Sra Natércia Magalhães, mas isso é verdade quando temos um verdadeiro serviço de urgências, o que não é o caso.
    Se calhar gostaria de ter, mas sinceramente acho que sou um felizardo ao ter um hospital como o de Leiria, com quase todas as valências e devidamente equipado, à distancia a que este se encontra. Assim não abdicando dos meus direitos, enquanto pagante, no SNS gostaria mesmo era que tivéssemos um serviço de atendimento de excelente qualidade.
    Gostaria, que qualquer um de nós, quando precisasse de consulta, urgente ou não urgente, se dirigisse ao Centro de Saúde e tivesse a ela acesso.
    Que não fosse necessário pernoitar à porta para depois receber a noticia “volte noutro dia, hoje já não há vagas”.
    O nosso Centro de Saúde já foi dos melhores a nível nacional, e mesmo assim havia possibilidade de melhorar, hoje é dos maus, porquê?

  3. Caro Luíz,
    “O nosso Centro de Saúde já foi dos melhores a nível nacional, e mesmo assim havia possibilidade de melhorar, hoje é dos maus, porquê?”

    Pegando neste seu parágrafo, a culpa não pode morrer solteira! Mas de uma coisa podemos estar certos, a culpa é de todos!

    1. Dos governos que têm desinvestido na saúde, por motivos óbvios, com os quais objectivamente não concordamos.

    2. Da Direcção Regional de Saúde (não sei se será este o nome ainda!?), pela falta de supervisão dos serviços.

    3. Do município pela falta de pressão e exigência perante a entidades acima.

    4. Dos utentes por apenas fazerem reclamações e exigências individuais, sem verdadeiramente fazerem ouvir a sua voz a quem de direito.

    A falta de manutenção do edifício é notório!

    A câmara pode e deve fazer mais…muito mais!

  4. Luiz Ferreira Branco diz:

    Caro António
    Não, por mim não acabou e espero que pelos companheiros que aqui escrevem também não.
    Todos nós temos profissões que nos ocupam muito do nosso tempo. No meu caso nas duas ultimas semanas foi-me humanamente impossível dedicar um minuto que fosse ao blogue, esta a razão de só agora lhe estar a responder. Facto pelo qual lhe devo e quero pedir desculpa.
    Entretanto estarei de volta com um novo tema.
    Obrigado pelo seu reparo

    Cumprimentos
    Luiz Branco

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