A corrida autárquica já começou

Aurélio Ferreira deu o tiro de partida para a corrida autárquica que terminará em outubro próximo, assumindo-se como candidato à presidência da Câmara.

Depois de uma leitura atenta ao discurso que proferiu na cerimónia de apresentação, na noite de sexta feira, não se vislumbram grandes diferenças no pensamento do vereador independente, com uma ou outra exceção. Destacamos uma: há quatro anos, Aurélio distanciou-se dos partidos, hoje diz que espera deles “um papel muito mais construtivo”.

Esta é, de facto, uma evolução no discurso do candidato a presidente que percebeu que a única possibilidade que tem para vencer a eleição passa por não hostilizar os partidos uma vez que há uma larga franja de eleitores que ora vota no PS ou opta pela CDU, PSD e BE que é determinante para o resultado final.

É este eleitorado, cerca de duas mil pessoas, que podem fazer toda a diferença e a candidatura de Aurélio Ferreira sabe disso.

A história diz-nos que o futuro presidente deverá ser o cabeça de lista do PS ou da CDU. Mas a mesma história, ou melhor, os números, dizem-nos que João Paulo Pedrosa perdeu as eleições com mais de seis mil votos e Álvaro Pereira as ganhou com cerca de quatro mil e setecentos votos.

Mas não é só o PS a perder votos: a CDU, com Barros Duarte, somou cerca de seis mil e quinhentos votos e Vítor Pereira, em 2013, não chegou aos quatro mil.

Já o PSD ultrapassou a fasquia dos 3.000 votos com António Santos em 2009 e, quatro anos depois, com o mesmo candidato, ficou-se por 1.680.

Veja-se a volatilidade dos números e é neste tabuleiro que Aurélio Ferreira quer «jogar». Aliás, o candidato do MpM andou em campanha nos últimos três anos e meio e quer agora capitalizar esse trabalho de sapa e atingir o número de votos suficientes que lhe garanta a eleição. A consegui-lo, o que não será fácil, será com maioria relativa uma vez que é provável que os mandatos sejam distribuídos por pelo menos três forças. Resta saber se o PSD conseguirá manter o seu vereador – temos sérias reservas – e se o +Concelho do controverso Carlos Logrado se apresentará ao eleitorado isoladamente ou se alguns dos seus elementos serão integrados num partido ou movimento.

A corrida ainda agora começou e já há tanto para dizer.

Texto publicado na edição de 23 fevereiro de 2017 do JMG

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