Gosto muito de números, da sua história, da sua magia … mas alguns incomodam-me

Com alguma frequência, ao colocar a várias pessoas a pergunta “o que é a Matemática”, a resposta quase imediata é “a Matemática é o estudo dos números”. Esta resposta espontânea está de algum modo ligada à história da Matemática e à sua visão tradicional. De facto, até ao ano 500 a.c., a matemática era, efetivamente, o estudo dos números. Era, sobretudo, muito útil para resolver situações do dia-a-dia.

Por volta de finais do séc. XIX, a Matemática passou a ser o estudo do número, da forma, do movimento, da mudança, do espaço e das ferramentas matemáticas utlizadas neste estudo (Devlin, 2002).

No Séc. XX houve uma explosão da atividade matemática impressionante. No ano de 1900, todo o conhecimento matemático a nível mundial poderia caber em cerca de oitenta livros. Hoje, seriam necessários perto de 100 000 volumes para incluir toda a informação que conhecemos.

Os números servem, essencialmente, para resolver problemas do quotidiano, fornecer dados sobre o mundo à nossa volta permitindo que o interpretemos, quantificar, classificar, realizar medidas, identificar … O que seria de nós hoje sem, por exemplo, o código de barras? Os números são úteis porque toda a atividade humana envolve algum tipo de contagem.

Os números também têm em si alguma magia, uns mais do que outros. Eu gosto da magia do número sete, que, segundo Pitágoras, é um número sagrado, perfeito e poderoso. Por exemplo: o arco-íris tem 7 cores; são 7 as notas musicais; a semana tem 7 dias; 7 meses com 31 dias; 7 maravilhas do mundo; a lua tem 4 fases de 7 dias; cada rosa tem 7 pétalas; os gatos têm 7 vidas; 7 os pecados mortais; 7 sacramentos; missa do 7.º dia; 7 saias da Nazaré; Lisboa tem 7 colinas ….

Nas histórias: “O cavalinho de sete cores”; “A branca de neve e os 7 anões”; “Pequeno Polegar – o casal tem 7 filhos”… e muitas outras que não cabem neste espaço.

Mas há números que me incomodam:

Em 2013, havia sete banqueiros que recebiam mais de um milhão de euros de remuneração; em 2014, eram dez e em 2015 catorze banqueiros ultrapassaram esse montante.

Neste mesmo ano, na Finlândia, só houve um banqueiro a ganhar mais de um milhão de euros e Portugal ocupava a 18.ª posição, tendo atrás de si, entre outros, a Noruega, a Suécia e a Dinamarca.

Nos CTT, em 2015, o fosso salarial entre o CEO e a média dos trabalhadores era de 21,8 vezes. Em 2016, passou para 45,3 vezes esse fosso. Provavelmente, uma recompensa pela má gestão da sua administração que entretanto se verifica.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2014, 20% da população com maior rendimento recebia, aproximadamente, 6 vezes o rendimento dos 20% da população com rendimento mais baixo.

Em 2015, 26.7% da população residente em Portugal encontrava-se em risco de pobreza ou exclusão social. Em 2016, 19% das pessoas residentes em Portugal estavam em risco de pobreza, ou seja, mais de dois milhões. Em 2016, 30% dos portugueses ganharam menos de 600€.

– Em Portugal, mais de 450 mulheres foram assassinadas nos últimos doze anos devido à violência doméstica. Só em 2016, 23 foram vítimas dessa violência. 42% das participações por violência doméstica estão relacionadas como consumo excessivo de álcool. A Marinha Grande é o concelho do distrito de Leiria onde existem mais casos de violência doméstica e a maior percentagem de doentes psiquiátricos.

– Portugal tem a maior taxa de insucesso escolar na União Europeia. Em 2014, onze mil alunos do 2.º ano de escolaridade ficaram retidos. Existem, atualmente, mais de 150 000 alunos que ficam retidos no mesmo ano de escolaridade. Cerca de 35% dos jovens portugueses com 15 anos já tinham sido retidos pelo menos uma vez (a média dos países da OCDE é de 13%), e mais de 7,5% apresentam no seu percurso mais de uma retenção (CNE, 2015).

O abandono escolar no Ensino Básico é frequentemente precedido de casos de insucesso repetido e retenções. O abandono escolar precoce, entre os 18 e os 24 anos que deixou o ensino sem concluir o 12.º ano, subiu no último ano para 14%, depois de vários anos a descer como indica o gráfico seguinte.

                                                                                                                  (Expresso, 11/02/2017)

Pensar (e)M Grande na Marinha Grande era ter uma Carta Educativa atualizada, onde se pudesse observar o que se passa relativamente a alguns dados apresentados, em especial os relativos à Educação, e onde fosse possível verificar como se perspetiva o futuro tendo em conta a realidade dos dados obtidos. Era tempo, este é o tempo urgente de a Educação ser uma prioridade neste concelho.

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