Lojas a menos ou a mais?

Na minha opinião, subsistem poucas dúvidas de que a Marinha Grande está num processo de definhamento progressivo e de difícil reversão. Um dos principais indícios – mas não o único – em que baseio esta minha observação, consiste no elevadíssimo número de lojas vagas que encontramos na nossa cidade, sinal aparente da falta de capacidade da Marinha Grande (seja ela económica ou conjuntural, política ou estrutural, social ou cultural, ou de outra natureza qualquer) em sustentar o chamado pequeno comércio.

Esses espaços vazios, muitas vezes inacabados ou em mau estado de conservação, tornam a Marinha Grande menos bonita e dão-lhe um ar de cidade doente, triste e sem vida. Ora, por norma, as pessoas não gostam de fazer compras em locais feios, tristes e sem vida, preferindo percorrer uma dúzia de quilómetros e ir fazer as compras a Leiria (mais particularmente ao shopping), do que comprar aos comerciantes da sua terra, o que cria um círculo vicioso difícil de romper. Menos compradores implicam menos lojas em funcionamento e menos lojas atraem menos compradores.

Teremos porventura, e para a nossa dimensão, demasiados espaços disponíveis destinados ao pequeno comércio, o que faz com que os comerciantes, quase inevitavelmente, estejam muito dispersos pela cidade, não havendo como que um ponto aglutinador onde as pessoas possam encontrar, porta com porta, praticamente tudo aquilo que procuram.

Ao invés, o que vemos muitas vezes é uma loja em funcionamento no meio de três ou quatro outros espaços sem ocupação. Isso cria uma «má vizinhança» à loja que está em funcionamento e afugenta os seus potenciais clientes. Por outro lado, se preciso do carro para ir do pronto-a-vestir para a mercearia, ou do quiosque para a frutaria, ou do talho para a cabeleireira… então vou mesmo ao shopping!

Bem sei que também existem centros e galerias comerciais na Marinha Grande. Locais onde seria expectável encontrar quase todo o tipo de lojas num mesmo espaço. O problema é que são tantos que nenhum está em pleno funcionamento ou com plena taxa de ocupação. Uns porque têm boas acessibilidades mas são antigos, outros porque são novos mas não têm lugares de jeito para os carros, outros porque ficam demasiado perto dos anteriores, outros por outras razões quaisquer. E, mais uma vez, as muitas lojas fechadas nesses locais não proporcionam um «clima» propício a ir passear a ver as montras e, quem sabe, comprar uma ou duas coisas lá para casa.

Há muitos anos atrás, o centro histórico funcionava como centro do pequeno comércio da nossa terra. Nas manhãs de sábado era notória a azáfama com que o reboliço do mercado contagiava aquelas ruas e as suas lojas. Sapatarias, drogarias, ourivesarias, livrarias, jornaleiros, fotógrafos, prontos-a-vestir,  pastelarias, e sei lá que mais. Mas, por variadíssimas razões que não adianta estar aqui a elencar,  atualmente isso já não se verifica. Mais recentemente parece que se tentou criar uma nova centralidade para a Marinha Grande – ali para os lados das traseiras das Finanças – com espaços verdes, parque infantil e de lazer, centro comercial amplo, novo e bonito, e até mesmo o novo Mercado Municipal. A ideia até parecia ter os seus méritos mas, visto assim por quem nessa altura não era de cá, houve alguém que fez asneira da grossa, não? Ponto atual da situação: um centro histórico que deixou de reunir condições para continuar a ser o que foi outrora, e um novo centro que não conseguiu sequer sê-lo.

O futuro do pequeno comércio, em geral, apresenta-se pouco risonho e, no caso da Marinha Grande em particular, ainda mais sombrio aparenta ser. Como se poderá reverter esta situação e voltar a sentir, nas nossas ruas, o fervilhar das multidões às compras? Certo é que a Marinha Grande tem lojas em atividade a menos e lojas fechadas ou vazias a mais.

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8 respostas a Lojas a menos ou a mais?

  1. Vítor pereira diz:

    Gostei.

  2. Infelizmente o caso da Marinha Grande (M. G.) não é caso único! Um pouco por todo o país encontramos casos iguais ou semelhantes. No entanto na M. G. tenha havido um erro de base que nunca foi resolvido, ou digamos … corrigido!
    O caso do mercado!
    O mercado nunca deveria ter saído de onde saiu, e agora não vale a pena, apontar culpados. Creio que é um assunto que todos, mais ou menos conhecem.
    Agora mais que tudo, interessa à Marinha Grande ver resolvido este assunto uma vez que continua, e passados todos estes anos por resolver. Não há mercado nem comércio. A solução para devolver o comércio à M, G, passa por colocar as pessoas a novo a circularem na zona “histórica! A única forma, creio, era fazer uma espécie de
    LxFactory. Não é preciso inventar nada, basta adaptar um conceito que tem dado os seus frutos. Um conceito onde a restauração é um factor primordial. Aconselho a quem não conhece que visite através do link: (http://www.lxfactory.com/PT/welcome/)

    Para quê inventar?

  3. Nelson Gomes diz:

    Muito obrigado Vítor Pereira.

  4. Nelson Gomes diz:

    Muito obrigado Telmo Godinho.

  5. Nelson Gomes diz:

    António Carlos, muito obrigado pelo seu comentário. Um dos meus objetivos ao publicar este texto foi precisamente o de poder ouvir o que as pessoas pensam sobre o assunto. Confesso que não conhecia o conceito que apresenta no seu comentário e agradeço a oportunidade que me deu de o ficar a conhecer. Quem sabe se o caminho não terá de passar mesmo por aí?
    Cumprimentos.

  6. Nelson Gomes, se não conhece, pode ver no site cujo link deixei…mas recomendo a visita. Será uma solução para o antigo mercado, quem sabe! A melhor forma de atrair pessoas é abrir restaurantes, petiscos, “fast-food”,”pizzarias” etc. É preciso é arranjar o local e abrir o primeiro. Mas se for pensado e estruturado… tudo é possível!

    Cumprimentos

  7. João Fernandes diz:

    Uma parte dos muitos Euros que estarão a “descansar” nas contas bancárias da autarquia deveriam ser usados para promover uma Agenda Cultural/Económica/Social de elevada qualidade e abrangência, que traga ao centro da cidade, de forma constante, (2, 3 ou 7 vezes por semana) os cidadãos da M. Grande e de outras cidades.
    Esta Agenda deveria ser concertada com potenciais investidores, com empresas de sucesso noutras cidades, com os ainda existentes comerciantes da cidade, com os proprietários dos imóveis degradados, com as Escolas, com as empresas da cidade, com o Governo.
    Poderá ser criada uma Campanha (nacional/internacional) com o objetivo de trazer à cidade um grupo considerável de pessoas, durante 1 dia, para serem pintados, exteriormente, os edifícios de acordo com regras pré-definidas. Utilizar esta ação como alavanca promocional para o futuro da cidade.

    Espectáculos
    Exposições
    Mostras Temáticas
    Show Rooms
    Ateliers Técnicos
    Dia/Semana Gastronómica
    Pavilhão da Embra com eventos desportivos Nacionais/Internacionais
    Intercâmbios com jovens das cidades geminadas
    Etc

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