Cidade(s) em Rede

Para os mais distraídos pode parecer que a(s) nossa(s) Cidade(s) existe(m), se constroem, numa ausência de relação com outras Cidades que lhe(s) são mais próximas, seja territorialmente, seja por afinidades socioculturais, económicas ou mesmo politicas!
Nunca foi assim. A Marinha Grande tem, por exemplo, laços constituídos, que não podem ser ignorados, com diversas Cidades com quem formalizou Acordos de Geminação e Cooperação:
– Fundão (Portugal)
– Montemor-o-Novo (Portugal)
– Oeiras (Portugal)
– Oliveira de Azeméis (Portugal),
– Salvaterra de Magos (Portugal)
– Vila Real de Santo António (Portugal)
– Tarrafal (Cabo Verde)
– Granja de San Ildefonso (Espanha)
– Fontenay-sous-Bois (França)

Além destas, outras Cidades mais recentemente, manifestaram já o seu interesse e disponibilidade para formalizar novas parcerias, como é o caso de São Bernardo do Campo – São Paulo (Brasil) e Hattiesburgh – Mississipi (EUA).

A Marinha Grande integra ainda diversas outras parcerias como a Rede Intermunicipal para a Cooperação e Desenvolvimento de que foi alias cofundadora em Março de 2013.

Em todas estas realidades a Marinha Grande tem, por direito e dever próprio, uma voz ativa, promovendo e partilhando as suas mais valias em áreas tão distintas como a Educação, a Economia, a Inovação Social, a Cooperação Internacional, etc.

Mas, sem qualquer duvida que a mais importante rede na qual se insere o Município é a própria Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), constituída em 2013 e que veio substituir a anterior Comunidade Intermunicipal do Pinhal Litoral (CIMPL) por reforma administrativa da Lei 75/2013.
A CIMRL é constituída por 10 dos 16 Municípios do Distrito de Leiria: Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.

É ao Conselho Intermunicipal (constituído pelos Presidentes de Câmara) que compete discutir e aprovar, nos termos da Lei, todos os programas de acção e projectos de intervenção que sejam comuns aos 10 Municípios, não havendo, teoricamente, nenhuma área da competência administrativa dos Municípios que não possa ser concertada em sede da Comunidade Intermunicipal. De resto, foi em sede da CIM que foi aprovado o Pacto para o Desenvolvimento e Coesão Territorial para a Região de Leiria no período 2014-2020 que sustenta a contratualização feita com a Autoridade de Gestão do Programa Operacional do Centro (CCDR-C) no âmbito do novo Quadro Comunitário – Portugal 2020.

Neste Pacto o Município da Marinha Grande teve a oportunidade de inscrever os seus investimentos próprios pretendidos de acordo com regras pré-estabelecidas e aceites por todos os Municípios com o pressuposto de que estas asseguram a equidade e a coesão territorial na distribuição dos referidos fundos.

Decorrente do Pacto contratualizado a CIMRL tem trabalhado em diversas frentes comuns, entre outras:
– Programa Intermunicipal de Combate ao Abandono e Insucesso Escolar – Educ@
– Programa Intermunicipal de Prevenção de incêndios e outras catástrofes naturais
– Programa Intermunicipal de Promoção do Turismo – Leiria, Região de Maravilhas
– Programa Intermunicipal de Promoção da Cultura em Rede – Leiria, Rede Cultural
– Programa Intermunicipal de Apoio ao Empreendedorismo. Este Programa, iniciado no actual mandato 2013-2017, pelo seu sucesso foi convidado a integrar o Programa Europeu URBACT
– Programa Intermunicipal de Modernização Administrativa

O nosso Município integra ainda a ENERDURA – Agência Regional para Energia da Alta Estremadura com quem trabalha no âmbito dos projectos de eficiência energética em edifícios e equipamentos públicos, além da rede de iluminação pública, com recurso aos fundos comunitários disponíveis neste âmbito.

Mais recentemente foi criada a Rede Intermunicipal de Museus da Região de Leiria, o que constitui mais um exemplo de trabalho comum.

Não se pode assim dizer, sem mais, que a Marinha Grande precisa de ter uma voz activa na CIMRL (não CIMPL) ignorando que a Marinha Grande JÁ TEM uma voz activa em diversas plataformas de cooperação intermunicipal e que é dessas plataformas que tem colhido desde sempre mais-valias para o seu desenvolvimento.

O que poderá sim ser questionado é se estamos a ser capazes de absorver e de rentabilizar tudo quanto nos é proporcionado, sendo que se poderá aqui aplicar a teoria do copo cheio ou meio vazio.

No caso eu prefiro ter um olhar que engloba as duas perspectivas, ou seja, já colhemos muito, já fazemos bastante, mas seguramente que poderíamos colher a fazer muito mais ainda, se soubermos potenciar as sinergias que se podem criar a partir dos laços que nos unem aos diferentes territórios referidos acima e que vai muito para além da própria CIMRL.

Pensar (e)M Grande, pensar a Marinha Grande é necessariamente pensar a nossa relação com os nossos parceiros territoriais estratégicos, não numa lógica de competição (fratricida) mas de parceria e complementaridade, porque só unidos venceremos os desafios das próximas décadas!

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3 respostas a Cidade(s) em Rede

  1. Esta crónica vem mesmo propósito de um caso com que deparei ontem. Vinha eu dos Casal dos Claros para a Marinha e deparei comigo a percorrer uma estrada que outrora foi um local de inúmeros acidentes devido ao mau piso, às curvas e logicamente à incúria dos automobilistas e motociclistas, alguns desses acidentes mortais e outros com muita gravidade, mas dizia eu, dei por mim numa estrada perfeita, bem sinalizada e com imagine-se …ciclovia. Vinha eu a pensar nisto, quando de repente a estrada se …acabou!

    Será que enganei na estrada? Terei entrado numa estrada em África?

    Não, aquela era estrada que eu tão bem conhecia e que causou alguns prejuízos!

    Buracos…muitos buracos, estreita a tal ponto que por diversas vezes quase que tive de parar, para cruzar com as viaturas em sentido contrário.

    “Et voilá”! Como por artes mágicas surge de novo a estrada “moderna”! Abanei a cabeça duas ou três vezes para ver se estava acordado! Estava!

    Sei das dificuldades que existem em tudo o que tem a ver com as infraestruturas que ligam o concelho com os concelhos vizinhos e com outras entidades como as Estradas de Portugal | Infraestruturas de Portugal, com as Matas Nacionais (agora creio que Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, REFER entre outras.

    Com tanto acordo de geminação, cooperação e de desenvolvimento, não consegue resolver esta questão? Casal dos Claros, Coucinheira e outras localidade vizinhas apesar de serem do concelho de Leiria, ganham a vida na Marinha Grande!

    E como portugueses, merecem uma estrada ….melhor! Entre outras coisas.

    https://www.google.pt/maps/@39.7841857,-8.9038723,3a,75y,215.6h,84.9t/data=!3m6!1e1!3m4!1sQpLRUtRpqJCMK_-k6I2wWw!2e0!7i13312!8i6656?hl=pt-PT

  2. João Fernandes diz:

    “Redes
    Cooperação
    Programas
    Pactos
    Parcerias
    Complementaridade”
    Tudo muito bem.
    Creio que, excluindo uma minoria de iluminados que giram em redor da CMMG, o cidadão comum, aquele(a) que vive e trabalha na Marinha Grande, não compreende o que tudo isto representa para a sua vida.
    Não compreende quando olha em redor e vê:
    – estagnação na oferta cultural
    – ausência de equipamentos desportivos
    – o centro histórico da cidade defunto
    – a impossibilidade do uso de bicicleta na “cidade das bicicletas dos anos 60/70”
    – que o município está sem estratégia para o futuro
    – que o município se preocupa mais com a pavimentação de algumas ruas do que com as necessidades prementes dos seus moradores
    – que nenhum dos políticos cá da terra se interroga e apresenta soluções para transformar a cidade num verdadeiro polo atrativo para milhares de pessoas que trabalham nas nossas empresas e que no final do dia regressam às cidades e vilas vizinhas (é lá que continuam a viver)
    – que o município deixa fugir permanentemente investidores para os municípios limitrofes, levando com eles capacidade de investimento, mão de obra qualificada, impostos
    – que os líderes dos partidos sejam eleitos com 14 votos

    Pois, na verdade, muitos programas estão no papel, na vida dos Marinhenses resta pouco de tudo isso.

  3. Alberto Antunes diz:

    “Uma pedrada no charco” impõe-se. Como simples munícipe, igual a milhares de outros marinhenses, eu só queria políticos inteligentes a governar, com abertura mental para escutar novas ideias e equacionar outras formas de governação sem a habitual submissão “canina” ao partido a que pertencem. No que diz respeito à nossa terra, com dois partidos a alternarem-se no poder, se não houver nada de novo, tudo indica que iremos ter mais do mesmo. Por aquilo que podiam ter feito e não fizeram, ao longo de décadas, pelas oportunidades perdidas (por pura incompetência), se tivessem respeito pelos munícipes nem se candidatavam às próximas eleições. Gerir uma Câmara é muito mais do que o simples expediente geral, muito mais do que cobrir algumas ruas de alcatrão em ano de eleições, muito mais do que gerir a dispensa lá de casa. A Marinha Grande está a morrer aos poucos e se não fosse a indústria a “puxar” por ela, há muito que seria uma cidade deserta.

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