Programa de apoio ao Emprego e Empreendedorismo de costas voltadas para “O grande Laboratório da Indústria 4.0”

É conhecida, por muitos de nós, a recente visita ao Instituto Politécnico de Leiria (IPL) do 1.º Ministro, do Ministro da Economia e do Secretário de Estado da Indústria para fazerem o lançamento do Programa “Indústria 4.0 – Economia Digital”

Pelo que foi relatado pela imprensa, o 1.º Ministro António Costa referiu que “o IPL é um exemplo na área da investigação e de aproximação às empresas, inserindo-se numa região com tecido empresarial dinâmico e com capacidade de absorver o conhecimento”.

Estou certa que esta referência à região tem em conta o contributo que as empresas sediadas na Marinha Grande podem dar a este Laboratório. Temos empresas de excelência, temos profissionais altamente qualificados, temos empreendedores que apostaram há muito na Indústria 4.0.

O que falta então fazer?

Falta-nos uma Câmara 4.0 que acompanhe este dinamismo e este desenvolvimento e seja também ela impulsionadora de Programas e Regulamentos que contribuam para uma Marinha Grande de referência a nível nacional e internacional.

Vem tudo isto a propósito do recente chumbo da proposta do Executivo PS – Programa de Apoio ao Investimento Industrial no concelho da Marinha Grande: 2017 e a aprovação, da Proposta apresentada pelo MpM e CDU – Programa de Apoio ao Emprego e Empreendedorismo no Concelho da Marinha Grande até 2020. A grande alteração desta proposta aprovada relativamente à proposta PS chumbada, é a abrangência das áreas a atingir, ou seja, não apenas a Indústria, como queria o PS, mas também o comércio, serviços ou outra de especial relevância, não especificando o que entendem por especial relevância, pode ser tudo, ou não ser nada. É um Programa pobre, pouco audaz, redutor não havendo nenhuma referência ao que comanda hoje o mundo: Tecnologia.

O Programa apresentado no IPL de Leiria “Indústria 4.0 – Economia Digital” tem inerente o apoio ao emprego com elevado grau de qualificação e como referiu o Ministro da Economia “deve ter uma grande ligação à educação”.

Na Zona Industrial da Marinha Grande funciona o Centro para o Desenvolvimento Rápido e Sustentado de Produto que contribui para o desenvolvimento científico e tecnológico, tendo investigadores que ali desenvolvem projetos ligados aos seus doutoramento e pós-doutoramentos.

Na minha perspetiva, tendo esta mais-valia no Concelho e o papel relevante que desempenha, seria expectável que o Programa de Apoio ao Emprego e Empreendedorismo aprovado contemplasse o apoio aos investigadores que pertencem a este Centro. Nada refere em termos de apoios a este Centro. Em contrapartida, o Programa apresentado pelo vereador Carlos Logrado previa, entre outras propostas: (i) atribuição de um subsídio, não reembolsável, a novas empresas startup de base tecnológica que possam emergir de resultados científicos e tecnológicos das Entidades do Sistema Cientifico e Tecnológico Nacional e Internacional (ESCTNI) pela criação efetiva de postos de trabalho para investigadores ou bolseiros de investigação oriundos de ESCTNI e contrato sem termo e a tempo inteiro após os primeiros seis meses de trabalho; (ii) isenção total de todas as taxas municipais associadas à habitação permanente de investigadores ou bolseiros de investigação, oriundos de ESCTNI, com residência fiscal e atividade no concelho; (iii) concessão de passe gratuito para os transportes públicos municipais (TUMG) aos
investigadores ou bolseiros de investigação, oriundos de ESCTNI, com residência fiscal
e atividade no concelho. Verdadeiramente, este apoio vai para além de 2020 e seria um contributo relevante ao apoio ao desenvolvimento tecnológico.

É preciso sermos mais audazes. O FUTURO dirá o quanto se tem errado nesta política de casinhas individuais em detrimento dum bem maior – Marinha Grande apoia a “Indústria 4.0 – Economia Digital” criando condições atrativas para a formação de quadros altamente qualificados e para que os investigadores que aqui desenvolvem os seus trabalhos fixem residência no concelho com todos benefícios daí inerentes.

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