Empresário na Marinha Grande (I)

Os sonhos são lindos. Por vezes são de amor, outras vezes de inquietude, há ainda os de pânico ou alegria.

Sonhamos ser quem não somos e ter o que não dispomos.

O sonho ninguém comanda, mas ele comanda a vida.

O empresário é aquele que, abdicando da vida fácil, se aventura na realização de sonhos.

Nem sempre o conseguido corresponde ao sonhado. Infelizmente, muitos destes sonhos, transformam-se em verdadeiros pesadelos para o sonhador e para as pessoas que o rodeiam.

É um risco ser sonhador e acreditar nos sonhos.

Mas o problema não advém daqui. As vicissitudes com que não sonhamos, criadas por terceiros, são o verdadeiro problema para o negócio.

Há dias contava-me um EMPREENDEDOR (daqueles com letra grande), que adquiriu uma fábrica que estava à venda, para assim ampliar o seu negócio.

A fábrica tinha acabado a sua laboração, e ao contrário do que por Portugal é habitual, ainda estava intacta. Tinha tudo. Água, eletricidade, equipamento, bastava ligar o quadro elétrico e lá estaria ela com o fulgor doutros tempos a produzir.

O EMPREENDEDOR foi à Câmara Municipal saber o que era necessário, para adaptar aquele espaço à exploração do seu negócio. Fez perguntas, fizeram-lhe perguntas, respondeu a perguntas e trouxe as respostas que procurava.

Fez um dossier com o que lhe havia sido exigido, e no imediato, voltou à Câmara fazer a entrega de toda a “papelada”.

Entretanto começou a preparar o espaço para poder fazer a mudança. É que isto dos negócios são oportunidades. Muitas vezes, se não forem aproveitadas no momento, tornam-se em colossais falhanços.

Ficou a aguardar, entretanto decorreu o habitual período de férias de verão, e 5 meses depois, com o outonal mau tempo, vem a resposta.

Só que não era resposta, era o EMBARGO DA OBRA.

 O empresário, sendo um dos tais que abdicou da vida fácil para correr riscos. Arriscou e continuou com as obras de acordo com o entretanto exigido.

Se para os políticos um milhão de euros é apenas um milhão de euros, para o empreendedor um milhão de euros são cem milhões de cêntimos. Cada cêntimo é um cêntimo e sem ele não há um milhão de euros. Nos negócios esta é a diferença entre ser bem ou mal sucedido.

E se, na Câmara da Marinha Grande, que gere um concelho industrial, houvesse alguém habilitado, para receber os potenciais investidores no concelho?

E se, esse alguém fosse um verdadeiro facilitador da vida das empresas na Marinha Grande?

E se, se fizesse das dificuldades facilidades?

Será que as empresas que por cá nascem continuariam a sair para os concelhos vizinhos?

Eu diria que não, e afirmo que teríamos mais empresas e com maior diversidade.

Mas se nós, com a nossa Câmara Municipal, não somos suficientemente simpáticos para manter os investidores locais, como seremos capazes de atrair investidores externos?

Ser empresário é uma tarefa difícil.

Luiz Branco

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3 respostas a Empresário na Marinha Grande (I)

  1. João Fernandes diz:

    Pois.
    Há empresários, patrões e empreendedores. Há políticos, politiqueiros e oportunistas. Há empregados, funcionários e colaboradores.
    Cada espécie com as suas especificidades, sendo que das que correm mais risco de extinção, os políticos estarão no topo.
    Quando se é governado por gente que nunca viveu o universo das empresas, dos seus responsáveis e dos seus colaboradores e respetivas famílias, vive-se governado por alguém cujos objetivos estão permanentemente desalinhados com os cidadãos.
    É penoso verem-se os debates políticos da cidade; alcatroamentos, bilhetes para espetáculos musicais, subsídios às coletividades, orçamento, dinheiro em caixa, mercado, nomes, chefes, gabinetes, e pouco mais.
    Não se vê estratégia a médio/longo prazo, não se percebe qual a ligação entre quem governa e quem é governado.
    OBRA será a palavra que permanece na cabeça de todos. Pergunto eu: qual obra?
    Serão necessários vários anos para se discutir (e nada fazer) sobre a obra do mercado, da piscina, do centro tradicional da cidade, zona industrial?
    De quem é a responsabilidade de toda a inércia? Dos governantes ou dos governados?
    Partilho a ideia de que todos somos responsáveis por termos uma cidade triste, cinzenta, sem vida própria, sem oferta cultural, sem infraestruturas dignas, sem perspetivas para os jovens cujos objetivos de vida se enquadrem numa sociedade plural, informada, participada, culturalmente rica.
    Todos somos responsáveis, contudo os governantes e os candidatos a governantes são detentores da maior fatia dessa responsabilidade.
    Votos de que durmam bem com ela…

  2. Luiz Branco diz:

    Caro João Fernandes
    Obrigado pelo seu comentário. Digamos que estamos de acordo.

    Luiz Branco

  3. A Marinha Grande pode-se orgulhar por ter grandes, diria mesmo, enormíssimos empreendedores, e em quantidade!

    Estes no entanto não têm sido acompanhados, quer em qualidade quer em trabalho feito por aqueles que têm dirigido o município.

    Além de não terem obra feita no concelho, pouco ou nada tem sido feito para apoiar as industrias existentes ou que se pretendam instalar. Temos assistido inclusivamente a “fugas” para concelhos limítrofes.

    Dis o João Fernandes que não há estratégia a médio/longo prazo. E curto prazo…há?

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