Amianto

 

Recorrentemente somos confrontados com notícias relativas à presença de amianto em edifícios públicos, embora este também se encontre presente na maioria dos edificios privados construídos antes de 2005.

Estas notícias causam sempre uma grande apreensão e preocupação junto dos cidadãos e provocam, por vezes, reacções exageradas só justificadas pela falta de informação relativa a esta temática.

Afinal, é o amianto perigoso?

É.

Por isso mesmo, o seu uso foi proibido por uma Directiva da União Europeia em 2003.

Mas, a presença do amianto nos edifícios é, por si só, perigosa?

Não.

Como em tudo na vida, também este tema deverá ser tratado com bom senso.

O amianto é uma fibra vegetal natural que devido às suas propriedades (elasticidade, resistência mecânica, incombustibilidade, bom isolamento térmico e acústico, elevada resistência a altas temperaturas, aos produtos químicos, à putrefação e à corrosão) teve, no passado, numerosas aplicações nomeadamente na indústria da construção, encontrando-se presente em diversos tipos de materiais tais como telhas de fibrocimento, revestimentos e coberturas de edifícios, gessos e estuques, revestimentos à prova de fogo, revestimentos de tectos falsos, isolamentos térmicos e acústicos, entre outros. Na Europa foi particularmente utilizado entre 1945 e 1990. (Fonte: Direcção Geral de Saúde).
Regra geral, a presença de amianto em materiais de construção representa um baixo risco para a saúde, desde que o material esteja em bom estado de conservação, não seja friável e não esteja sujeito a agressões directas. (Fonte: Direcção Geral de Saúde)

Então, quando é que há risco de exposição ao amianto?

Quando as fibras se libertam ocorrendo o perigo da sua inalação. Se as fibras de amianto estiverem apenas fracamente ligadas no produto ou material, o risco de libertação de fibras é maior devido à friabilidade ou ao estado de conservação desse produto ou material. Se, pelo contrário, as fibras estiverem fortemente ligadas num material não friável, a probabilidade de essas fibras se libertarem será menor, sendo consequentemente menor o risco de exposição. (Fonte: Autoridade para as Condições do Trabalho)

Então, a presença de amianto implica a remoção do mesmo?

Não. Na tomada de decisão deve ser tido em conta a avaliação de riscos, que deve incluir uma avaliação do estado de degradação do material, a sua friabilidade, a acessibilidade, a probabilidade de contacto, o número de pessoas expostas e o seu tempo de exposição bem como a determinação da concentração de fibras no ar. (Fonte: Autoridade para as Condições do Trabalho).
A ser assim, a decisão pode ser a de manter os materiais com amianto nas condições em que se encontram, fazendo uma monitorização regular e definindo procedimentos para manutenção e reparação ou proceder à sua encapsulação ou selagem.

Também, de acordo com a Quercus, não é obrigatório remover o amianto que já está aplicado, a não ser que se verifique que este esteja degradado e que a sua exposição possa ser um risco.

A existência de amianto em edifícios, instalações e infraestruturas (públicas e privadas) deverá ser alvo de identificação, avaliação do seu estado e caso não apresente estado de degradação e não esteja em contacto com pessoas, deverá ser alvo de monitorização. (Fonte: Quercus)

No decurso da minha actividade profissional executei mais de 3000 autópsias clínicas e não tenho memória de ter presenciado qualquer patologia associada ao contacto com amianto, em contraponto com as centenas associadas ao consumo de tabaco.

Contudo, sendo o período de desenvolvimento das doenças associadas à inalação regular de fibras de amianto de cerca de 50 anos (metade nos fumadores) e tendo este material sido largamente usado nos anos 60 a 80, é natural que só a partir de agora se verifique um aumento visível de casos, nomeadamente de mesoteliomas.

Com este artigo, não pretendo desvalorizar o risco que as fibras de amianto podem representar para a saúde mas somente trazer alguma informação que permita aos cidadãos avaliar com tranquilidade as situações com que se confrontam no seu dia-a-dia.

Havendo tranquilidade e bom senso na abordagem a este tema, haverá tempo e dinheiro para atender em primeiro lugar às intervenções que são verdadeiramente urgentes e, em segundo lugar, monitorizar as que só necessitam de vigilância.

E, já agora, não fume.

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