As árvores no espaço urbano

Qualquer cidadão aprecia os espaços verdes da cidade onde vive e, muito em especial, as árvores que embelezam a paisagem, oferecem sombra, transmitem vida e melhoram o meio ambiente.
Vem isto a propósito de que a arborização urbana, como agora se diz, tem de respeitar alguns princípios básicos essenciais para alcançar aqueles fins e, por isso, não pode ser menosprezada ou descuidada, devendo haver um planeamento rigoroso e adequado, pois quando se planta uma árvore intervém-se a médio ou a longo prazo no local e afetam-se recursos sempre escassos.
Vários são os aspetos a considerar na eleição das espécies a plantar, sendo os mais evidentes aqueles que decorrem da aptidão do local e do solo, do enquadramento paisagístico, do espaço disponível, da dimensão de cada árvore quando adulta, dos efeitos das suas raízes no pavimento, da cor da copa, se esta é caduca ou persistente, etc., etc..
De igual modo é determinante a morfologia e o desenvolvimento da própria planta, a sua idade, dimensão, momento e compasso da plantação, estado sanitário, bem como a sua capacidade de crescimento, pois pretendem-se árvores sanitariamente boas e que rapidamente alcancem com o seu desenvolvimento os objetivos pretendidos, sendo ainda fundamental a sua manutenção, o acompanhamento no seu crescimento e o tratamento.
Não devem existir opções, no mínimo, incompreensíveis, quer em jardins, quer em ruas, praças e avenidas, onde alguns dos princípios atrás enunciados não são observados e atendidos, resultando daí árvores que não crescem, árvores tortas e desqualificadas, outras que irão crescer demasiado para o espaço disponível e que terão de ser podadas para redução do seu tamanho, mais parecendo, em cada inverno, postes de cimento devido à necessidade de podas exageradas praticadas nessa estação.
Temos na Marinha Grande 3 agradáveis jardins centrais, outro em Vieira de Leiria, onde se procede neste momento à sua requalificação por más decisões anteriores devidas à plantação de árvores não adequadas ao local, mas não podemos concordar, como de resto já manifestámos, com outras opções tomadas.
A plantação de carvalhos da serra dos Candeeiros e outros na principal avenida de uma cidade, árvores de crescimento muito lento e de mui pobre efeito paisagístico e que, quando adultos, terão uma copa demasiado larga, desadequada para uma avenida de largura reduzida, ou a plantação de plátanos em situação idêntica, quando se pensa em abater árvores desta espécie, adultas, existentes noutra avenida da cidade, evidencia falta de enquadramento paisagístico e de visão de futuro.
Outra situação que não devia de acontecer é a existência de árvores secas e de pé, prolongadamente, em arruamentos bastante concorridos, outras ainda que a, muito curto prazo, causarão dificuldades aos residentes e custos acrescidos ao Município, isto por não existir, ou por não ser executado, um plano que contenha regras básicas adequadas à arborização urbana, não se devendo esquecer o tratamento e manutenção das plantas, como seria expectável e desejável.

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2 respostas a As árvores no espaço urbano

  1. Gostei! Parabéns.
    E quem escolhe as árvores? Algum gabinete de estudos de Lisboa?

  2. Octávio Ferreira diz:

    Caro Amigo
    Os técnicos das CM estão bem mais habilitados nessa escolha, do que alguns “técnicos de gabinete” de fora.
    Abraço

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