Discriminação na nossa terra

Não discriminar é tratar igualmente todas as pessoas, independendentemente da raça, religião, idade, sexo, condição social económica ou fisica.

À luz do direito todos somos iguais, é esse o simbolismo da venda na estátua que representa a justiça nos tribunais.

Se a lei é igual para todos, e todos devemos respeitar-nos igualmente, e se vivermos num estado de direito todos temos que cumprir iguais deveres para podermos reinvindicar iguais direitos de cidadania.

Sendo assim, não compreendo algumas coisas, confesso. Há algum tempo atrás existiu uma situação problemática numa escola primária da Marinha Grande envolvendo uma menina de 11 anos. Quando procurei esclarecer a situação informaram-me que a situação estava resolvida, e alguém me acrescentou que dificilmente voltaria a existir algum problema que envolvesse a mesma menina. “Porquê?” perguntei ingenuamente. Porque quando fizer 12 anos, sai da escola para casar. É assim o costume da sua etnia.

Fiquei estupefacto. Aparentemente as crianças de 12 anos podem ser forçadas a casar sem quaisquer consequências para os adultos responsáveis, para isso bastando ser de uma etnia minoritária.

Não percebo. Para mim uma criança é uma criança não há exceções, não há crianças de primeira nem crianças de segunda. Não me interessa minimamente a etnia, raça, religiao, cultura ou clube de futebol a que os pais pertencem. Um estado que não discrimina é um estado que protege todas as crianças por igual e responsabiliza todos os pais por igual.

No nosso pais a lei proibe casamentos a menores de 16 anos em qualquer circunstância e a lei não discrimina nem abre parentesis.

Aparentemente o medo que existe de ser politicamente incorreto para com uma etnia, vale mais do que proteger o direito das crianças que nascem nessa etnia, como se estas fossem de alguma forma menos do que qualquer outra criança. Mas enquanto esse medo existir, como podem essas crianças vi a ser totalmente integradas numa sociedade que só protege as crianças da etnia maioritária?

A integração também passa por aqui, por normalizar o cumprimento das mais fundamentais regras da sociedade portuguesa, o respeito pelos direitos humanos e em particular o direito das crianças. Gostava que as autoridades e o poder politico da Marinha Grande tivessem a coragem de proteger todas as crianças do nosso concelho de todos os pais que não as respeitem como a lei diz que devem ser respeitadas. Isso sim, é não discriminar.

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2 respostas a Discriminação na nossa terra

  1. António Silva diz:

    Ricardo Macedo,
    Eu já sou reformado, não sou da Marinha, mas vivo cá há muitos anos.
    Os ciganos, a partir de determinado momento deixaram de ser apenas passantes, perdendo o nomadismo, e começaram a fixaram-se por cá.
    O que se passa é que os meus netos, quando vieram para o 5º ano tinham medo de ir para a escola sem serem acompanhados, tal como acontecia com os seus pais. Roubos de telemóveis, ameaças e outras coisas piores.
    Apesar de tudo, desde que os ciganos seguissem a sua cultura e não interferissem na nossa segurança e qualidade de vida seria o menos grave.
    Sem entrar em ideias racistas ou xenófobas, será necessário que os nossos autarcas tomem e articulem medidas para que se fixem cumprindo as regras sociais. Se isso não acontecer, criar mecanismos que os impeça de se fixarem com o disfarce do nomadismo.

  2. Ricardo Macedo diz:

    Antonio, Concordo que seria necessário medidas que permitam integração verdadeira, que só existe quando todos cumprem regras minimas de civismo incluindo respeito pelos direitos humanos, direitos dos animais e respeito pela propriedade privada. Se assim não for, o maximo que se consegue é guetos etnicos, que alimentam verdadeiros sentimentos xenofobos.

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