Terra Queimada

A “Política da Terra Queimada” terá tido origem numa antiga prática militar chinesa, em que se queimavam todas as colheitas para não permitir ao inimigo reabastecer-se e reforçar-se, derrotando-o pela fome.

Mais tarde, durante as invasões francesas, russos e portugueses usaram esta técnica, conseguindo a derrota de Napoleão.

Mas a que preço?

Portugal era pobre e mais pobre ficou mas, nessa altura, o sacrifício tinha justificação: a defesa da nossa independência.

Contudo, o recurso à política de terra queimada é extremamente perigoso.

Vem assim a propósito o recente chumbo que a oposição, em maioria na Câmara Municipal da Marinha Grande, fez à reactivação do Programa de Apoio ao Investimento Industrial proposto pelo executivo PS que visa dar apoio às muitas empresas que têm projectos de ampliação e que buscam financiamentos da União Europeia. Tudo sem contrapropostas.

De referir que este mesmo programa de apoio já vigorou em anos transactos, tendo na altura merecido a aprovação por unanimidade dos vereadores da oposição, alguns dos quais fizeram questão de proferir declarações de voto com elevados elogios ao programa.

Somente o ano eleitoral em que nos encontramos poderá explicar este desvario da oposição.

Não deixar fazer o que quer que seja tornou-se o objectivo principal.  Este facto está bem patente na demora verificada na aprovação do orçamento rectificativo, nas dificuldades criadas no orçamento de 2017 e agora neste chumbo que pode pôr em causa o futuro de muitas empresas do nosso concelho.

É habitual criticar-se os executivos quando produzem obra em ano eleitoral, como se os mandatos de 4 anos terminassem ao fim de 3.

E afinal o que preferem os cidadãos? Obra em ano eleitoral ou “não obra” exactamente por esse motivo?

Contudo, neste caso o problema vai mais além e pode comprometer o futuro.

A Marinha, neste momento, vive uma política de terra queimada onde ninguém se salva: nem o executivo, nem a oposição, nem os cidadãos.

Há circunstâncias em que brincar com o fogo e optar pela “terra queimada” pode ser catastrófico.

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6 respostas a Terra Queimada

  1. António Silva diz:

    Talvez a Carlos Caetano nos possa explicar.
    O vereador Aurélio Ferreira diz que não concorda com o Programa de Apoio ao Investimento porque só contempla a indústria e exclui as empresas do Comércio, de forma, do Turismo, de Engenharia, etc.
    Diz ainda que estas empresas excluídas são 86% e representam 50% do emprego.
    É mesmo assim?

  2. Luiz Branco diz:

    É evidente a opção seguida pelos vereadores com pelouro.
    A votação era a esperada, mas não só era a esperada como a desejada.
    É verdade que o mesmo programa já foi votado em anos anteriores e com unanimidade. Mas se formos ler as declarações de voto encontramos nas diversas forças da oposição, reparos a que o programa deveria ser estendido a outras áreas de negócio, que criem empregos e mais valias para o concelho.
    Porque razão há-de a vereação com pelouro, insistir no absurdo de excluir outras actividades que tragam desenvolvimento e postos de trabalho à Marinha Grande.

  3. Alberto Antunes diz:

    Sr. Carlos Caetano, o Executivo Permanente em minoria (Paulo Vicente e Cidália) deveria escutar as ideias construtivas da oposição em vez de optarem por “levar a deles avante”, contra tudo e contra todos. Depois, fazem passar a mensagem recorrendo à vitimização , quais “desgraçadinhos” que os “malvados” da oposição não deixam governar.
    É tempo dos munícipes perceberem que o actual executivo faz o que pode e o que pode é quase nada. Se tivessem ideias e projectos, podiam fazer Obra porque o Município tem capacidade económica para isso. Desprovidos de ideias e projectos, limitam-se à banalíssima gestão camarária. Só para dar um exemplo:em 2017 é inconcebível que a rede de esgotos não esteja concluída, quando se sabe que não é por falta de verbas.

  4. Carlos Logrado diz:

    Tenho uma grande admiração pelo Carlos Caetano, pessoal e politicamente. A sua serenidade, humor subtil, visão ampla e disponibilidade para o trabalho, enriquece a qualidade média dos munícipes que se interessam e participam na “coisa pública”. A experiência no PEM, em que o tive como companheiro no Grupo de Coordenação, comprovou esta minha opinião.
    Depois do meu “desencontro” com Paulo Vicente–Tereza Coelho, seria uma excelente escolha para liderar o PEM (Programa de Eficiência Municipal) e o PMA (Programa de Modernização Administrativa). Não teria sido atirado “porta fora” o esforço incansável e desinteressado dos funcionários da Câmara e dos munícipes que trabalharam nestes programas. Estou certo que pouco se teria perdido pelo facto de deixarem de ser liderados por mim.
    Como “oposição” só posso falar por mim. Não poderia estar mais de acordo com este seu artigo se o ato de reprovar ou atrasar fosse meramente tático, desprovido de objetivo de melhoramento, sem conselhos prévios de alternativas e, sobretudo, sem apresentação de alternativas mais eficazes e do interesse do município. Para os três exemplos utilizados, não foi este o caso! Senão vejamos:
    1º- Revisão do orçamento de 2016 – Desde que ajudei a aprovar o Orçamento de 2016 (dezembro de 2016), “pressionei” diariamente Paulo Vicente–Tereza Coelho para fazermos o “Plano de Governação” que compreende o planeamento financeiro da autarquia e por consequência a Revisão do orçamento de 2016. Esta revisão, podia, devia e tinha maioria para aprovação em março-abril de 2016. Porque só foi apresentada a 15 de julho, já depois do nosso “desencontro”?
    2º- Orçamento de 2017 – Orçamento fraco, aprovado à “primeira” sem nenhuma alteração. Como podia ser melhor para quem governa?
    3º- Programa de Incentivo à Industria – Porque não foi melhorado o programa conforme acordado em fevereiro de 2016? E o Programa de Incentivos ao Emprego e Empreendedorismo (PIEE) que proponho a deliberação amanhã, não é melhor do que o reprovado há 15 dias?
    Meu amigo Carlos, politica de terra queimado? Talvez não! Sem ousadia e visão alargada, definharemos e não teremos futuro. O progresso impõe roturas e o nosso concelho tem condições e gentes extraordinárias.
    Abraço.

  5. Carlos Caetano diz:

    Caro Carlos Logrado
    Por princípio não faço comentários aos comentários dos leitores do blog e não vou abrir nenhuma excepção.
    Contudo, não poderia deixar de lhe agradecer a sua tão simpática avaliação do meu carácter e de lhe dizer que foi muito inspirador o trabalho que realizamos no PEM.
    Somos dois “rapazes quase novos” e teremos oportunidade, certamente, de cooperar neste ou noutros projectos, independentemente do lado da “barricada” em que cada um se encontrar.
    Abraço.

  6. José Manuel diz:

    Pelo que já li, o Carlos Logrado levou uma abada hoje. Quem está a fazer politica de terra queimada é o meu amigo Carlos ao querer impor a sua vontade. Nem sempre temos razão e mesmo quando a temos é preciso termos a humildade de reconhecer quando podemos interagir com outras pessoas em prol de um bem comum. Assim, com ditadura não vai lá.

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