Até quando as coletividades vão resistir?

Importa refletirmos todos sobre o papel que as coletividades têm na sociedade marinhense e se há consciência do que todos teremos a perder caso as mesmas se estingam, bem como o trabalho, empenho, dedicação e tempo… que é dinheiro, quando não se trata de dinheiro mesmo, que a manutenção das coletividades e associações deve aos seus membros diretivos.
Desde há quase um século, perto de 96 anos, para ser mais preciso, quando foi criada a coletividade mais antiga do concelho, a SIR 1º de Maio, de Picassinos, que outras se seguiram e se muitas se foram mantendo, sempre com atividades de recreio, cultura e desporto para as populações locais, outras há que não resistiram ao tempo.
As coletividades foram e, as que resistem, ainda são, onde os marinhenses podem usufruir de algum recreio, ver ou fazer teatro, dançar, praticar atividade física a custos simbólicos, praticar os mais diversos desportos de forma informal ou federada, entre muitas outras valências.
Várias associações e coletividades fazem ainda trabalho comunitário e de apoio social, desde a ginástica de manutenção para a 3ª idade até às valências que algumas conseguem ter de assistência a idosos, com centro de dia e apoio  domiciliário.
São também as coletividades que realizam as festas que vão animando o povo e mantendo uma tradição antiga, sem falar nas novas Festas da Cidade, que se não tivessem a preciosa colaboração das coletividades nas tasquinhas, jamais seriam o sucesso que têm sido. Numa forma muito interessante que a nossa autarquia encontrou para financiar de forma indireta as associações concelhias. Bem dito seja quem teve a feliz ideia e a colocou em prática, porque utilizou a cabeça para pensar em algo diferente e numa forma de poder financiar as coletividades, dando-lhes possibilidade de criar receita, alavancando o afluxo de pessoas, com artistas musicais de renome nacional.
Ora, o que se depara neste momento a quase todos os membros das associações e coletividades da Marinha Grande é uma enorme dificuldade em conseguir corresponder às exigências da autarquia para puderem recorrer aos subsídios camarários.
Manter uma coletividade ativa e com pujança é algo tão, mas tão difícil, que tudo o que os dirigentes, voluntários e benévolos, não precisam, é de quem lhes coloque mais peso e dificuldades em cima do seu já longo calvário. São muitas horas dedicadas às coletividades, associações e clubes desportivos todos os dias, durante todo o ano. Desde o problema da mais pequena anomalia nas infraestruturas às obras de maior porte. Desde a questão de uma anomalia com as quotas dos associados, às questões de disciplina dos mesmos e, eventuais, sanções. Desde a contratação de monitores para as mais variadas atividades, à divulgação das mesmas para as fazer chegar ao maior número de participantes. Desde o mais ínfimo pormenor, ao mais importante dos assuntos. O dirigente associativo está lá sempre, disponível, quer queira, quer não, para resolver problemas e dar a cara. Ser dirigente associativo é um legado que os marinhenses deviam conhecer melhor e respeitar. Valorizar. Pois, sem eles, sem nós, pois sou um deles, a Marinha será muito mais pequena.
A FAG – Feira de Artesanato e Gastronomia é, arrisco eu, o maior evento de cariz popular organizado no nosso concelho. Obra de quem? Da coletividade de Casal Galego.
São tantos os exemplos de obras que fazem a Marinha ser Grande que são fruto do espírito de sacrifício comunitário tão típico dos marinhenses, mas fico-me pela FAG.
Olhando para as coletividades e associações concelhias, preocupa-me muito com o que aí vem. Pois o cansaço e dedicação de forma quase sobre-humana a que os dirigentes associativos são obrigados, numa sociedade cada vez mais egoísta e exigente, leva-me a constatar que ventos e marés muito adversos estão no horizonte. A Marinha Grande, em especial a nossa autarquia, tem que dar valor a quem, a troco de nada palpável, faz tanto pela sociedade marinhense.

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