Centros Educativos

Num tempo em que não existia rede de transportes municipais, em que as crianças não tinham acesso a cantinas escolares, em que as famílias não dispunham das facilidades de transporte próprio como têm hoje, a Câmara da Marinha Grande, presidida por Emílio Rato, tinha, como vereador da educação, o saudoso Professor Veríssimo, que prematuramente nos deixou.

Por iniciativa da Autarquia, liderada pela CDU com maioria absoluta e sobre a orientação de um dos melhores vereadores da educação de sempre, foram construídos dois Centros Educativos, um no Casal do Malta e outro na Várzea, inspirados no modelo sueco, que se revelaram estruturas educativas de grande sucesso, que desde a primeira metade da década de 80 do século passado, continuam a justificar o apoio dos pais e da comunidade escolar e a revelar um índice de eficiência acima da média.

Com algumas alterações que as boas práticas recomendam e com o capital de experiência adquirido, os tão falados Centros Educativos, diabolizados na arena da disputa política, já existem desde 1984/1985, pelo menos no conceito, se a memória me não atraiçoa.

Ao observar, com o olhar de quem se deseja afastado da luta política, não posso deixar de manifestar a minha opinião sobre este assunto, porque reclamo para mim a experiência de ter sucedido ao Professor Veríssimo na gestão do pelouro da educação, de 1986 a 1989 e de 1994 a 1997, ano em que, resultado de uma folgada maioria absoluta e entrada em cena de novos protagonistas, me vi empurrado para fora das áreas de intervenção, que, como autarca, sempre reclamei, ou seja, a Educação, o Desporto e a Cultura, interrompendo um ciclo de profundas melhorias no parque escolar e uma relação frutuosa e cordial com os professores.

Na verdade, apesar de saber que alguns amigos meus que muito estimo, estão fortemente empenhados nesta cruzada contra os Centros Educativos, eu não consigo perceber onde se sustenta a argumentação utilizada.

É fácil instrumentalizar os pais e as comunidades locais, se lhes disserem que vão afastar os seus filhos da escola e do bairro em que eles próprios estudaram, fechar a escola e com isso retirar competências e importância aos lugares onde residem.

É fácil conseguir a oposição dos professores, se a mensagem que se lhes passa, é a de que a melhor rentabilização destes equipamentos pode vir a provocar despedimentos.

É minha convicção, que se for explicado aos pais das crianças que estudam em escolas com uma ou duas salas, que para almoçarem têm de se deslocar para outras escolas com cantinas, em fastidiosas deslocações em autocarro, retirando tempo para brincar nestes intervalos, que o que se pretende é disponibilizar transporte à porta de casa ou muito perto, para ir e voltar a um espaço escolar, onde para além de se irem relacionar com centenas de outras crianças, lhes é disponibilizado um espaço de recreio bem equipado, salas com fonoteca e videoteca, cantinas onde podem tomar as suas refeições, libertando tempo para brincarem, onde se podem criar espaços para as artes, pintura, teatro, música e também para o desporto, eles, pais, certamente reconhecerão que o que define a proximidade não é a distância até à velhinha escola, mas a facilidade e conforto como se garante a mobilidade em autocarros que podem utilizar.

Ao contrário das campanhas e dos cartazes, que passam uma mensagem populista, ao arrepio de políticas educativas que já foram bandeira dos partidos que as promovem, a luta deveria ser pela exigência da garantia dos postos de trabalho de todos professores colocados nas escolas

Sobre Armando Constâncio

O meu nome é Armando Gonçalves Constâncio dos Santos, casado, com dois filhos. Nasci em 26 de Abril de 1948, em casa, no Casal da Formiga, cujo parto foi assistido pelo saudoso Dr. Coelho. Fiz a 3.ª classe na Marinha Grande, mas, em 1958, por altura das eleições em que participou Humberto Delgado, o meu pai foi despedido da Caixa do Pessoal da Indústria Vidreira, por razões políticas e eu tive que ir viver com os meus avós maternos para a aldeia de Pereira do Campo, entre Alfarelos e Coimbra, onde fiz a 4.ª classe. Já a vivermos em Lisboa, para onde o meu pai teve que deslocar a família, para tentar sobreviver vendendo vidro à comissão, comecei a trabalhar aos 14 anos e a estudar de noite. Aos 16 anos embarquei para Angola, sozinho, para me juntar à família que já lá estava, tendo começado de imediato a trabalhar na empresa onde trabalhava o meu pai, prosseguindo os meus estudos à noite. Após o 25 de Abril de 1974, fiz parte da Comissão Coordenadora da 1.ª Comissão de trabalhadores da SIGA, onde trabalhavam cerca de 1300 pessoas. Aderi ao MPLA e participei na organização da UNTA, Central Sindical do movimento. Em 14 de Novembro de 1975, após ter escapado de algumas tentativas de assassinato tentado pela FNLA, fui o último membro da família a abandonar Angola, por razões de segurança, tendo embarcado no navio Russo Ucrânea. Já na Marinha Grande, a viver em casa dos meus pais, juntamente com toda a restante família, consegui emprego na Iberoplás, como responsável da secção de recursos humanos, tendo evoluído para Director Comercial no início da década de 80. Fui membro da Comissão de Trabalhadores da Iberoplás, delegado sindical e dirigente sindical do Sindicato dos Trabalhadores de Comércio e Escritório do Distrito de Leiria. Em 1986, a convite da CDU, integrei em 4.º lugar a lista concorrente à CMMG, liderada por Emílio Rato, que ganhou as eleições com maioria absoluta. Nesta época, tive um papel importante no arranque da Zona Industrial da Marinha Grande e na organização das Feiras de Actividades Económicas, a primeira das quais foi no SOM, inaugurada pelo Presidente da República Mário Soares. Em Junho de 1989, seis meses antes de acabar o mandato, renunciei ao cargo de vereador a tempo inteiro e aceitei um convite da Iberomoldes para exercer o cargo de Director Geral da Edilásio Carreira da Silva, contra a vontade do PCP, que contava comigo para número 2 da lista que iria ser liderada por João Barros Duarte às eleições desse ano, que a CDU ganhou. A minha carreira na Edilásio foi interrompida, numa altura dramática da minha vida pessoal, após insistentes convites do PS para integrar a lista liderada por Álvaro Órfão, como independente, às eleições de 1993, que o PS ganhou, interrompendo um ciclo de 15 anos de gestão municipal da CDU. Fui vice presidente da CMMG durante 12 anos. Acabada a minha participação política, encerrado este capítulo demasiado longo do exercício de funções públicas, tentei voltar à Edilásio, para ocupar o lugar que detinha antes de ser eleito, nos termos da Lei, mas foi-me dito, com mais ou menos delicadeza, que após 12 anos de ausência o meu lugar tinha sido preenchido, as dificuldades porque passavam as empresas na altura impediam acréscimos de custos e eu era dispensável. Nada que eu não tivesse previsto. Em finais de 2015, decidi adquirir uma pequena empresa de cartonagem em Vieira de Leiria, tendo obtido financiamento integral, em forma de leasing, para poder concretizar o negócio, que ainda hoje se mantém.
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