Rapariguita

Desde que me lembro, e já não vou para novo, que o comércio da Marinha se confronta com fragilidades  e dificuldades.

Talvez o seu grande problema resida na proximidade a Leiria e na atracção que a dinâmica comercial da capital do distrito sempre exerceu sobre os marinhenses.

De facto, Leiria sempre ofereceu qualidade, diversidade e inovação enquanto que por cá nos limitámos ao básico, muito básico.

Salvo poucas mas honrosas excepções, o nosso comércio sempre se baseou no “abrir uma lojita” e pôr lá “uma rapariguita” a “ver o que dá”.

Quando todos referimos amiúde a dinâmica do nosso tecido industrial, seria bom comparar as posturas de cada um dos empresários.

Ninguém instala uma fábrica sem máquinas “a ver o que dá”.

Nenhum industrial fica à espera que os organismos públicos lhes tragam os clientes à porta.

Naturalmente, compete ao Estado proporcionar condições facilitadoras das actividades económicas mas, acima de tudo, a responsabilidade principal recai sobre os agentes económicos.

Nestes agentes incluem-se os proprietários dos edifícios.

Em toda a cidade, nomeadamente no centro tradicional, são inúmeras as lojas à venda ou para arrendamento. Quantos desses espaços se encontram apresentáveis? São muitos os que se mostram sujos, alguns até imundos, com montras cobertas por jornais do tempo em que se escrevia farmácia com ph e sem que se consiga ver o seu interior. Como poderão estes espaços despertar o interesse de alguém?

Como não se constrói uma casa a partir do telhado talvez tudo tenha que começar com água e sabão.

Depois há que ter iniciativa e ousadia tendo em atenção que já não há “rapariguitas”.

Felizmente cresceram, evoluíram e sabem o que querem.

Ainda ontem as vi em Leiria.

Esta entrada foi publicada em Carlos Caetano, Geral com as tags , , , , , , . ligação permanente.