Marinha Grande à espera de amanhãs que cantem

Quem vive no concelho da Marinha Grande, quem acompanha a vida quotidiana dos munícipes, quem está atento às redes sociais, aos jornais, não pode deixar de sentir que existe uma necessidade urgente que algo aconteça neste concelho e que, de uma vez por todas, a Câmara deixe de ser excessivamente burocrática, petrificada, legalista e fechada sobre si mesma.

O que assistimos no nosso dia-a-dia é uma governação que não está, de modo algum, adequada às exigências que hoje se colocam, nomeadamente, ir ao encontro das justas expetativas da comunidade, de se abrir, ser dialogante e não se refugiar em subterfúgios que em nada dignificam a democracia. A realidade camarária de hoje é fruto de muitos anos de imobilismo e de governação à vista. Não há planeamento estratégico, não há definição de objetivos a curto ou a médio prazo, não há rumo para sabermos para onde vamos. O que existe é um poder instalado, conformado, que não põe como prioridade a transformação de uma máquina obsoleta e uma vontade inequívoca de MUDAR. Mas mudar exige vontade, compromissos, fazer cedências, ter ideias, criatividade e diálogo com aqueles que podem ser uma mais-valia para uma mudança efetiva.

E MUDAR exige apresentar Orçamentos credíveis, viáveis que tenham em conta as reais necessidades dos munícipes que vivem neste concelho à beira mar plantado. O que assistimos é verdadeiramente preocupante e resultado de uma falta de capacidade de execução e de visão do que se pretende e exige para o desenvolvimento da Marinha Grande.

O que é preocupante no Orçamento de 2017 aprovado, com nove votos a favor, onze abstenções e quatro votos contra, é que, no preâmbulo do documento, o executivo permanente tenha dito, entre muitas outras coisas que “não se reveem na sua filosofia e nos seus princípios”. Talvez por isso, precisem desta aprovação para depois, a seu belo prazer, fazerem as modificações necessárias para que então sim, tenham um orçamento que não foi aprovado, mas que esteja de acordo com a sua filosofia e os seus princípios.

Mesmo assim, é fraca a sua filosofia e os seus princípios e deixam muito a desejar desde o início deste mandato, dado que em dezembro de 2015 deixaram nos cofres do banco 7,5 milhões de euros por gastar, que integraram em 28 de outubro de 2016, e mais 14 milhões em 31 de dezembro de 2016. Com este crescimento, provavelmente, em 2017 ficarão mais 20 milhões de euros.

Assim, cumprir-se-á, mais uma vez, o nosso fatal destino, terem capacidade de investimento e não serem capazes de o executar. Um Executivo que deixa estes milhões sem utilizar, é o mesmo Executivo que nestes três anos que leva de governação não apresentou qualquer obra de referência, por exemplo, o mercado não foi feito e não sabe quando e onde o será; o tanque que milhares de pessoas frequenta continua sem que se vislumbre outras alternativas; o terminal rodoviário nem sequer foi pensado, as variantes estão, possivelmente, no papel; a melhoria de funcionamento dos serviços da Câmara não passa de uma miragem; a situação de alargamento da zona industrial e de criação de infraestruturas parece não preocupar quem governa, o saneamento básico não chega a todas as casas, o desenvolvimento industrial e turístico desapareceu do léxico destes governantes, a reestruturação da rede escolar não tem data marcada, dando assim uma imagem nítida de um Executivo sem capacidade de realização e de execução.

Para que haja amanhãs que cantem neste concelho é urgente um Executivo que aceite dialogar com todos, que acolha as suas ideias, que seja audaz, que tenha um plano estratégico para o concelho, criatividade para levar por diante medidas urgentes que contribuam para o desenvolvimento do concelho e o bem-estar de todos. A continuarmos assim, nunca haverá amanhãs que cantem e os jogos de poder irão perpetuar-se.

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