Desertificação do Centro Tradicional

Tenho da Marinha Grande, terra onde nasci, a fundada convicção de que, todos nós, nos devemos orgulhar dela, quer pela qualidade das suas gentes, quer pelo exemplo empreendedor dos seus empresários, quer ainda pela beleza natural que os olhos de quem nos observa facilmente detecta, mas que alguns de nós teima em não ver.
Exemplo de dinamismo empresarial, quer a nível nacional, quer internacional, o nosso concelho tem sido um case study, especialmente pela forma como funciona o cluster vidros/moldes/plásticos, com uma notável capacidade de amortecer fenómenos de desemprego num sector, que facilmente são absorvidos por outro.
Tenciono pautar a minha participação neste espaço de discussão, criticando o que penso estar mal, mas contrapondo ideias alternativas ou complementares. Não me revejo no criticismo fácil do bota abaixo.
Ao longo dos textos que tenciono produzir, tentarei dar à estampa a minha visão do que nos falta para consolidar o Concelho como um Polo de Excelência, suficientemente atractivo para motivar jovens recém-formados a escolherem a nossa terra para viver.
Neste quadro, achei prioritário abordar o tema da desertificação do Centro Tradicional, publicando um trabalho meu que se enquadra no programa 2020 no capítulo da Requalificação Urbana, tencionando em próximos escritos abordar temas relacionados com o Desenvolvimento Económico com sustentação ambiental, Planos de Mobilidade e de Ordenamento Urbano, Turismo, Cultura e Acessibilidades.

Operação Regeneração Urbana – proposta

Sobre Armando Constâncio

O meu nome é Armando Gonçalves Constâncio dos Santos, casado, com dois filhos. Nasci em 26 de Abril de 1948, em casa, no Casal da Formiga, cujo parto foi assistido pelo saudoso Dr. Coelho. Fiz a 3.ª classe na Marinha Grande, mas, em 1958, por altura das eleições em que participou Humberto Delgado, o meu pai foi despedido da Caixa do Pessoal da Indústria Vidreira, por razões políticas e eu tive que ir viver com os meus avós maternos para a aldeia de Pereira do Campo, entre Alfarelos e Coimbra, onde fiz a 4.ª classe. Já a vivermos em Lisboa, para onde o meu pai teve que deslocar a família, para tentar sobreviver vendendo vidro à comissão, comecei a trabalhar aos 14 anos e a estudar de noite. Aos 16 anos embarquei para Angola, sozinho, para me juntar à família que já lá estava, tendo começado de imediato a trabalhar na empresa onde trabalhava o meu pai, prosseguindo os meus estudos à noite. Após o 25 de Abril de 1974, fiz parte da Comissão Coordenadora da 1.ª Comissão de trabalhadores da SIGA, onde trabalhavam cerca de 1300 pessoas. Aderi ao MPLA e participei na organização da UNTA, Central Sindical do movimento. Em 14 de Novembro de 1975, após ter escapado de algumas tentativas de assassinato tentado pela FNLA, fui o último membro da família a abandonar Angola, por razões de segurança, tendo embarcado no navio Russo Ucrânea. Já na Marinha Grande, a viver em casa dos meus pais, juntamente com toda a restante família, consegui emprego na Iberoplás, como responsável da secção de recursos humanos, tendo evoluído para Director Comercial no início da década de 80. Fui membro da Comissão de Trabalhadores da Iberoplás, delegado sindical e dirigente sindical do Sindicato dos Trabalhadores de Comércio e Escritório do Distrito de Leiria. Em 1986, a convite da CDU, integrei em 4.º lugar a lista concorrente à CMMG, liderada por Emílio Rato, que ganhou as eleições com maioria absoluta. Nesta época, tive um papel importante no arranque da Zona Industrial da Marinha Grande e na organização das Feiras de Actividades Económicas, a primeira das quais foi no SOM, inaugurada pelo Presidente da República Mário Soares. Em Junho de 1989, seis meses antes de acabar o mandato, renunciei ao cargo de vereador a tempo inteiro e aceitei um convite da Iberomoldes para exercer o cargo de Director Geral da Edilásio Carreira da Silva, contra a vontade do PCP, que contava comigo para número 2 da lista que iria ser liderada por João Barros Duarte às eleições desse ano, que a CDU ganhou. A minha carreira na Edilásio foi interrompida, numa altura dramática da minha vida pessoal, após insistentes convites do PS para integrar a lista liderada por Álvaro Órfão, como independente, às eleições de 1993, que o PS ganhou, interrompendo um ciclo de 15 anos de gestão municipal da CDU. Fui vice presidente da CMMG durante 12 anos. Acabada a minha participação política, encerrado este capítulo demasiado longo do exercício de funções públicas, tentei voltar à Edilásio, para ocupar o lugar que detinha antes de ser eleito, nos termos da Lei, mas foi-me dito, com mais ou menos delicadeza, que após 12 anos de ausência o meu lugar tinha sido preenchido, as dificuldades porque passavam as empresas na altura impediam acréscimos de custos e eu era dispensável. Nada que eu não tivesse previsto. Em finais de 2015, decidi adquirir uma pequena empresa de cartonagem em Vieira de Leiria, tendo obtido financiamento integral, em forma de leasing, para poder concretizar o negócio, que ainda hoje se mantém.
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