Que os marinhenses deixem de ser os Bombos da Festa

“Levemos Abril até 1 de outubro”, um dos pontos fortes do discurso de 25 de Abril do sr. presidente da CMMG, Paulo Vicente.

Não podia estar mais de acordo.

O que peço aos políticos do meu concelho. É que passem das palavras às acções, para que os marinhenses deixem de ser os Bombos da Festa.
Festa e Fogos à parte, que nunca esqueçamos que continuamos a ser um concelho que tanta riqueza natural possui e tanta outra produz, graças à força e inteligência do povo e dos seus empresários e, continuamos a ser um concelho dos mais pobres do país em estruturas básicas que deveriam ser colocadas à disposição da população.
Que saibamos honrar os princípios de Abril e todos nós, com a consciência de quem pensa pela sua própria cabeça, saibamos dar quatro anos de gestão autárquica com um único propósito: – O progresso do concelho e das suas TRÊS freguesias. Sobre isso, tenho vergonha do desprezo a que os moitenses, que tanto lutaram para serem marinhenses, têm sido alvo por parte da nossa Autarquia.
Não sendo freguesia, mas situa-se da linha para lá, Picassinos, a minha amada terra, merece respeito e temos sido alvo de constante abandono.
Nem um painel de necrologia, para afixar as cartas fúnebres dos nossos falecidos, nós merecemos por parte de uma autarquia que prometeu e não cumpriu. Sobre isso eu desisto… a população de Picassinos construiu uma escola que nos querem roubar. A população de Picassinos construiu uma igreja que nos dignifica enquanto povo. A população de Picassinos construiu uma sede e fez obras de renovação sem pedinchar nada à Câmara. A população de Picassinos saberá encontrar uma solução digna para a última homenagem aos nossos entes queridos. Da CMMG não espero mais nada sobre este assunto.
O trânsito caótico e as filas intermináveis de camiões para o Santos Barosa, com os naturais transtornos para a população e para esta empresa que tão querida é pelos picassinenses. Cabe à autarquia resolver este problema. Chega de palavras. A solução está mais do que identificada… a saída terá que ser feita a poente, para a zona da Rotunda do Vidraceiro.
O saneamento básico continua esquecido. Picassinos cresceu de forma abissal em termos populacionais, se não sabem, vão verificar os números dos estudos elaborados pelos técnicos camarários.
Deixem-se de lançamentos de livrinhos, que muitos deles não passam de projectos egocêntricos sem a menor qualidade e de pouco valor cultural e patrimonial e metam mãos às obras. Julgo que 10,5 M€ que estão parados a ganhar bolor… devem ser mais que suficientes para que a população deixe de ser o Bombo da Festa.

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PENSAR ALTO

Não raro, dou por mim a pensar como é que se pode desenhar e antecipar o futuro, se não conhecermos, ou não formos capazes de interpretar o passado.
Como poderemos nós intervir na construção do advir, se não conseguirmos identificar os diversos momentos históricos, relevantes e ligados entre si, que nos trouxeram até aqui.
O Pinhal de Leiria, assim chamado por, na época, ainda não existir o lugar da Marinha Grande, terá sido, segundo alguns historiadores, mandado plantar por D. Afonso III, mas foi, de facto, D. Dinis, que lhe deu importância e dimensão, introduzindo intensivamente o pinheiro bravo.
Funcionando primeiro como uma barreira que susteve o avanço das areias do mar, o Pinhal do Rei, também assim chamado, veio a ter um papel fundamental no fornecimento da madeira com que se construíram as Naus que levaram Portugal ao Mundo por descobrir.
No século XVIII, a madeira do Pinhal, olhada como combustível e as areias das nossas praias avaliadas como boas matérias primas, motivaram o Marquês de Pombal a conceder grandes benefícios aos irmãos Stephens para montarem uma moderna fábrica de vidros na Marinha Grande, sucedendo à de Coina, que havia encerrado.
É assim, assente na importância do Pinhal de Leiria e no papel que lhe estava atribuído, que se inaugura a Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande, em 1769. Foi daqui que saiu a vidraça com que se reconstruiu Lisboa após o terramoto de 1755.
A história da Indústria de Moldes Portuguesa, já no início do Sec. XX, através de Aires Roque e Aníbal Abrantes, tem a sua génese na evolução da Indústria do vidro.

De facto, foi graças a um senhor inglês, chamado Stephens que, acompanhado por vários artesãos de apurada perícia, oriundos de Génova e de Lisboa, foi criada a “Fábrica-Escola Irmãos Stephens , de onde resultaria uma intensa actividade empresarial em diversos sectores, que fazem hoje da Marinha Grande e de Oliveira de Azeméis, referências industriais mundiais.

Foi também já no século XX, que se começaram a produzir os primeiros moldes para vidro, pois até então em Portugal, a necessidade deste tipo de moldes era satisfeita através da importação de moldes da Alemanha e da Áustria.

É deste lastro que podemos extrair a conclusão de que temos aqui um quase completo cluster industrial, onde o elemento que se soltou da cadeia foi a produção do vidro do subsector do cristalaria manual, permanecendo pujante o sector do vidro automático, especialmente a embalagem.

Olhando hoje para este quadro, como se de uma tela se tratasse, vemos lá, intacta, a imensa mancha verde do Pinhal, que representa mais de 60% do nosso território, vemos a indústria vidreira de vidro automático e tecnologia de ponta, considerada uma das mais evoluídas da Europa, observamos uma indústria de Moldes reconhecida como das melhores do Mundo e a indústria de Plásticos que se vem a afirmar como um sector em acelerado crescimento, tecnologicamente avançada e com uma notável capacidade de progressão.

Olhando para os detalhes desta tela pintada com o saber das nossas gentes, podemos observar um Património Histórico recentemente reconstruído, uns notáveis espaços verdes de fruição pública, um Centro Tradicional decrépito e abandonado e um enorme buraco negro, a representar a nossa incapacidade colectiva para gerir este Património de elevadíssimo valor que nos foi deixado.

Sigamos uma ordem e fixemo-nos na Mata Nacional.

Abrem-se agora possibilidades de vir a ser a Autarquia a gerir este tesouro concelhio. Na minha opinião, a Mata tem que continuar a ser administrada com o máximo rigor e encarada sempre como o valor maior, sem que isso impeça o uso do bom senso, no jogo de equilíbrios que será necessário fazer.

O potencial de desenvolvimento que pode ser aportado através das Matas é enorme. Desde logo a recuperação do seu acervo como núcleo museológico e a sua utilização intensiva como produto turístico.

A recuperação de pavimentos, a sinalização e marcação de percursos pedestres, quer para lazer, quer para a prática do desporto de orientação. A definição de trilhos, bem sinalizados, que possam ser utilizados para os amantes do ciclo-cross e de alguns desportos motorizados. A adequada sinalização e criação de mapas com a localização de árvores notáveis. A recuperação das casas das Matas, podendo algumas delas ser alienadas, mas outras usadas como pousadas da Juventude ou Centros de Educação Ambiental. Tudo isto, feito num espaço florestal dos mais qualificados do País, assim considerado por muitos técnicos florestais estrangeiros que nos visitam, poderia vir a ser uma poderosa ferramenta para alavancar o turismo de permanência em época média e baixa.

Passemos ao Vidro e ao Património que lhe está associado.

Parece evidente que tentar recuperar a produção de vidro artesanal com fins comerciais, é uma impossibilidade económica. No entanto, o Museu do Vidro está morto, o Cencal sobrevive com dinheiro público e alguns artesãos que restam vão resistindo, até que as mãos lhes tremam, sem que a sua arte se renove.

Será o fim? Será que velhos oficiais vidreiros, agora reformados, vão acabar os seus dias sem as memórias da boca do forno incandescente?

Na minha opinião, não terá que ser assim.

Nós temos que acabar aquilo que começámos. É preciso e urgente criar o Polo do Museu vivo, com um forno de fusão e com um, ou mais, mestres vidreiros a produzirem, ao vivo, para um auditório de 40 ou 50 lugares sentados, peças numeradas de sua autoria, ou cópias de peças do acervo do Museu, que seriam vendidas em local próprio.

Por detrás da Biblioteca deveriam reconstruir-se espaços para a lapidação à roda, para a pintura à mão e para a pantografia, recuperando o pantógrafo que penso ainda existe.

Depois de adquirida a FEIS, toda a ala construída com frente para a Av. José Gregório deveria ser transformada em ateliers de artesanato com porta e montra para a avenida. Um tanque de gás colectivo abasteceria todos os artesãos. Acrescentava-se vida à avenida, cor, movimento.

É preciso somar o valor que falta áquilo que já está feito. O Museu, tal como existe, não atrai ninguém. Nem mesmo os marinhenses o conhecem. O que os visitantes procuram é o bailado das canas com o vidro incandescente na ponta. É o soprar, o rodopiar, o moldar, o repuxar com o alicate, o cortar com a tesoura e, finalmente, olharem para uma peça que reflecte a mestria e a arte de quem a produziu.

Somos uma terra de vidreiros. Concretizar estes sonhos custará pouco mais do que se gasta em iniciativas mais ou menos folclóricas, que culturalmente não nos dizem nada.

Todas estas iniciativas, já de si poderosas forças de atracção à zona central da cidade, associadas a outros equipamentos construídos nas imediações e criminosamente abandonados, como o Novo Mercado Atrium, a instalação dos serviços de Conservatórias no espaço que lhe estava reservado no Edifício da Resinagem e um Programa de Recuperação do património privado construído, usando todas as ferramentas previstas na Lei, iriam permitir reconverter as funcionalidades dos edifícios, privilegiando a habitação para população mais jovem.

É urgente dar prioridade às ciclovias e promover ligações funcionais desde a Zona desportiva até ao Centro da cidade. Reduza-se a largura de faixas de rodagem, criem-se pistas só pintadas no pavimento. Incrementem a utilização da TUMG. Criem, como estava previsto, um Centro Multimodal de transportes e uma linha dedicada com um autocarro, tipo shutle, a fazer só o percurso pelas ruas pedonais do Centro Histórico. Promova-se a animação de rua nessas zonas, como agora se fez para a celebração da Primavera, mas com um calendário anual definido, com incidência nos fins de semana.

É preciso fazer alguma coisa, mas para que algo se faça, é preciso que o sonho comande a vida e que a utopia se sobreponha à incapacidade de pensar e de fazer.

Espalhar alcatrão à tonelada é fácil, não sei se é barato e já nem sei se dá votos.

Publicado em Armando Constâncio, Geral | 5 Comentários

Os 100 anos do concelho da Marinha Grande e o “Elucidário do Pinhal do Rei”

A Marinha Grande comemora 100 anos da restauração do concelho em 2017, tendo em 26 de março último, dia da tomada de posse da Comissão Instaladora do concelho há 100 anos atrás, havido um dos pontos altos do evento que incluiu a apresentação pública do livro “Elucidário do Pinhal do Rei”, da autoria de um dos mais ilustres Marinhenses, Gabriel Roldão. Pelo facto estão de parabéns a Câmara Municipal, o Autor e todos aqueles que proporcionaram a publicação.
Se dúvidas ainda houvesse sobre a relação umbilical entre a Mata Nacional e a Marinha Grande elas desaparecem com a presente publicação, pois esta dá nota da intimidade intrínseca e indissociável entre a Mata e os Marinhenses.
Na verdade as origens da Marinha Grande confundem-se com a fixação dos trabalhadores da Mata Nacional em seu redor, designadamente aquando da epopeia dos descobrimentos que obrigou ao abate de sensivelmente metade do arvoredo então existente para a construção das naus e caravelas.
Depois a vinda da indústria do vidro para a Marinha Grande, por aqui haver além de areia lenhas em abundância da Mata Nacional cedidas a Guilherme Stephens pelo Estado, é outro marco referencial e determinante.
Mas foram, também, as múltiplas cedências de terrenos para São Pedro de Muel e para a Praia da Vieira (povoações que há 200 anos não existiam), para os parques de campismo, para os terrenos de cultura de Vieira de Leiria (talhos) há 1 século atrás – hoje em dia transformados e integrantes da malha urbana -, para os parques de merendas e os percursos pedestres, para a construção de escolas e de pavilhões, para a captação da água consumida pelos Marinhenses, para uma ETAR, para um mercado, até, em tempos, para uma lixeira!
E que dizer dos eventos sociais, das profissões, do trabalho que a Mata Nacional proporcionou e proporciona, das lenhas outrora fonte de combustível das casas e das fábricas da Marinha Grande, da madeira, dos espaços desportivos e de lazer, dos matos, da caça, para além da fonte inspiradora que a Mata Nacional tem sido para poetas e artistas?
Que outro concelho do país pode afirmar ter 60% do seu território ordenado desde 1882, um espaço considerado “monumento vivo” e “mata modelo”, que foi escola de referência de florestais nacionais e estrangeiros, que disponibiliza ao mesmo tempo e sustentadamente, paisagem, história, trilhos, madeira de qualidade ímpar e outras matérias-primas, um litoral de excelência e condições ambientais únicas que tão bem podem complementar a atividade industrial e a enorme capacidade empreendedora dos Marinhenses?
O “Elucidário do Pinhal do Rei” ficará como obra de referência e de consulta para todos aqueles que pretendam conhecer melhor a Marinha Grande.
É caso para dizer, obrigado Mata Nacional, obrigado Gabriel.

Publicado em Geral, Octávio Ferreira | Deixe o seu comentário

A verdade ou o que a população quer ouvir?

Tenho que começar por declarar que até aparecer outro modelo melhor, a decisão maioritária ainda é o melhor processo democrático, apesar dos seus defeitos.

Feita a declaração, e porque vamos entrar em fase de campanha lembrei-me da Drª Manuela Ferreira Leite , até porque a ouço com regularidade na TV, quando ela declarou que em alguma situações dava jeito interromper a democracia por um período de 6 meses. Eu percebi o que ela quis dizer. Se bem se lembram estava na fase de campanha para a liderança do PSD contra o Paços Coelho, ela dizia o que achava que estava correto para o pais, ele dizia o que a população queria ouvir, no fim ganhou ele e fez muito pior que aquilo que ela se propunha, e muito provavelmente se fosse ela a líder do partido teria corrido tudo muito melhor. (Mais uma declaração de intenções, nunca votei PSD, nem penso votar).

Para mim faz sentido, como modelo meramente teórico, a ideia que se podia de vez em quando fazer uma pausa na decisão por maioria, na verdade nem sempre as maiorias têm razão, se calhar até me arrisco a dizer que muitas vezes não têm razão, e num processo de eleições, ganha a maioria.

Vejam a questão das audiências nas TVs , quais são os programas mais vistos?

Mas é por esta necessidade de agradar às maiorias, porque é isso que dá votos e ganha eleições, que muitos dos políticos que têm como único objetivo ganhar, numa logística futebolística de que nem que seja com a mão o que interessa é que seja golo, fazem campanhas que nada têm a ver com o que será a sua governação caso ganhem, estando contudo conscientes disso.

Parece que ganhar não é definitivamente o sinonimo de dizer a verdade, e o que é que interessa mais?  ganhar, ou ter a consciência tranquila que disse a verdade e se deixou à população a decisão de acreditar nos que se propõem?

Todo  este processo acaba por ser um ciclo vicioso, vota-se naqueles que dizem o que queremos ouvir mas depois não acreditamos nos políticos porque eles nos mentem.

Vamos ver o que acontece na Marinha Grande nestes próximos meses.

Porque é obrigatório Pensar e(M) Grande.

Publicado em Carlos Carvalho, Geral | 1 Comentário

Xenofobia

xe·no·fo·bi·a
(xeno- + -fobia)
substantivo feminino
Aversão aos estrangeiros, ao que vem do estrangeiro ou ao que é estranho ou menos comum. = XENOFOBISMO

“xenofobia”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/xenofobia [consultado em 29-03-2017].

Xenofobia.
Não é apenas a aversão a culturas diferentes, é a aversão declarada a tudo e a todos os que são diferentes, os que não se enquadram nos nossos conceitos de “normalidade”, como sendo “um de nós”!

A Marinha Grande sempre foi uma «Cidade de Chegada»!
Com a plantação do Pinhal do Rei chegaram os trabalhadores florestais!
Com a Fábrica Real de Vidros chegaram os operários vidreiros!
Com as Garrafeiras e os Moldes chegaram ainda mais operários fabris!

Nestes 100 anos em que somos Concelho (mas ainda antes disso) sempre fomos uma Cidade plural, diversificada, tolerante, acolhedora!

Para muitos a Marinha Grande foi a realização do seu «sonho americano»: trabalho, prosperidade, estabilidade, segurança, bem-estar!

Hoje a Marinha Grande continua a receber de braços abertos inúmeras Pessoas dos “quatro cantos do mundo” e podemos dizer que somos uma Cidade multicultural, onde se cruzam origens e culturas diversas, con-vivendo, com-partilhando o mesmo espaço social, as mesmas ruas, as mesmas escolas…

Mas aqui e ali aparecem sinais contraditórios!

É o caso deste comentário «anónimo» num Blog conhecido de todos nós: o Largo das Calhandrices!

Não tenho nem nunca tive qualquer pré-conceito com aquele espaço, nem mesmo com o anonimato, sendo certo que cada opinião vale o que vale, e seguramente que quem precisa de esconder atrás de uma máscara para dizer o que pensa valerá bem menos que quem tem a frontalidade para dar a cara!

O que me incomoda neste comentário não é, por isso, o anonimato!
É o seu conteúdo!
Pode não ter sido essa a intenção do seu autor, mas é claramente um comentário xenófobo, desrespeitador dos mais básicos valores da Democracia!

Infelizmente na política, refiro-me aqui à política local, transparecem cada vez mais estes radicalismos, estes fundamentalismos, esta intolerância por quem ousa pensar diferente, por quem ousa denunciar inverdades (senão mesmo falsidades)!

Ninguém é detentor da Verdade!
Todos, mas mesmo todos, temos algum contributo válido a dar pela nossa Cidade!

A Política, no verdadeiro sentido da palavra, se não tem em si o sentido da Ética da Hospitalidade (que é muito mais que tolerar a diferença: é aceitá-la, é integrá-la!) não será nunca capaz de construir Cidades elas mesmas integradoras, acolhedoras, hospitaleiras!

E uma Cidade que não seja integradora, acolhedora, hospitaleira, está condenada a morrer!

Espero que os próximos meses, à medida que se for intensificando a campanha eleitoral, aqueles que são os líderes dos Partidos e dos Movimentos Políticos e Sociais tenham essa clarividência para incutir, pelo exemplo, os verdadeiros valores da Democracia, repudiando qualquer sinal contraditório disso mesmo!

Publicado em Geral, Nelson Araújo | Tags | Comentários fechados em Xenofobia

Santos da casa… fazem milagres

É verdade que o ditado popular diz-nos precisamente o oposto. É factual que nem sempre o que é local é bom. Sobre isto estamos conversados. Mas há exceções. Muitas. E devemos valorizar os agentes locais pois só assim poderão vir a ser melhores, além de que a riqueza aqui produzida fica no concelho.
Poderíamos aqui trazer vários casos de sucesso. Comecemos, por exemplo, pelas marchas populares, que nas últimas semanas têm estado envoltas em polémica.
Partindo do princípio que dificilmente serão como as de Lisboa, não é menos verdade se afirmarmos que, caso sejam devidamente apoiadas, poderão afirmar-se a nível local e regional. Basta que haja vontade de todos os intervenientes: autarquia, juntas de freguesia, associações, clubes, dirigentes associativos, comércio local e, claro, os ensaiadores e marchantes. Se todos remarem no mesmo sentido poderemos ter um produto muito atrativo e isso já ficou demonstrado no passado.
A Feira Nacional de Artesanato e Gastronomia é outro exemplo de como uma pequena associação consegue organizar uma iniciativa com esta grandiosidade, o mesmo sucedendo com o Clube Automóvel da Marinha Grande que há anos monta um dos melhores ralis do país: o Centro de Portugal.
As peças de teatro produzidas no Operário e Império, as galas da Ordem, as iniciativas das universidades seniores, a atividade desportiva intensa são outros exemplos de que, aqui, conseguimos fazer bem. Mas podemos fazer muito melhor e, por vezes, basta um pormenor.
Recentemente, a Rádio Clube Marinhense, em articulação com diversas entidades do concelho, promoveu uma gala de jovens talentos que se traduziu num belo espetáculo, feito com a «prata da casa». Não se entende que se invistam milhares de euros em alguns espetáculos, que o dinheiro saia do concelho, quando temos capacidade de os produzir localmente.
Por estas razões, há que começar a olhar para os agentes locais como competentes, desde que as autarquias sejam agentes facilitadores. Vamos a isso?

Publicado em António José Ferreira | Deixe o seu comentário

Por uma Marinha Grande mais civica

Eu sempre tive esta ideia meio estranha de defender a existência de aulas de cidadania no currículo das crianças.

Seria util informação sobre a república, sobre o funcionamento autárquico, sobre as instituições do estado, leis e código da estrada, direitos e deveres dos cidadãos etc. Poderia ser uma forma de diminuir a abstenção e gerar eleitores mais bem informados, o que por sua vez traz (creio eu) melhores políticos e melhores politicas.

Mas ensinar cidadania fazia falta antes de mais para ensinar civismo, e por civismo entenda-se formas civilizadas de viver em harmonia numa sociedade organizada.

Quais as consequências do vandalismo? O que significa um bem ser público? Que comportamentos devemos exibir com os outros? E na estrada? E na escola? E com as autoridades? Porque devemos respeitar os nossos cidadãos mais idosos?

Na Marinha Grande, a nossa terra, não sei se este tema é mais ou menos problemático do que noutros sítios, mas é um problema que merecia mais atenção.

– Bicicletas circulam sem luzes, por semáforos vermelhos e sentidos proibidos;

– adolescentes vandalizam brinquedos públicos, parques e paredes;

– pessoas que não respeitam prioridade de atendimento de idosos e pessoas de mobilidade reduzida;

– constante falta de respeito pelos outros condutores a parar em segunda fila, interrompendo transito ou bloqueando outros carros;

– crianças que não respeitam professores;

– adultos que não respeitam autoridades;

– falhas no respeito por quem atende ao público e falhas de quem atende no respeito do público;

– pessoas com dificuldades na praça pública sem auxílio;

– desrespeito e crueldade por animais;

– deitar lixo em lugares impróprios;

– fumar ou fazer ruido onde se incomoda terceiros sem remorsos,

e mais um grande número de situações que vivemos ou assistimos e que condenamos ou lamentamos.

Fazia falta mais civismo. Fazia falta nos marinhenses de hoje, e fazia falta nas nossas crianças, os marinhenses de amanha. Respeitar a Marinha Grande é respeitar os marinhenses e assim respeitar-nos a nós mesmos.

Nota: um bom exemplo que os partidos poderiam dar, já a partir das eleições que se avizinham, era limitar ao mínimo a distribuição de cartazes e material de propaganda eleitoral, e assegurar a sua correta recolha e limpeza logo após as eleições.

Publicado em Geral, Ricardo Macedo | Tags , | 3 Comentários

Penso-Rápido

“(…) é necessário uma rutura nas formas tradicionais de governança de modo a ter boas práticas municipais que se caraterizem pela inovação e boas práticas de governança territorial”.
(Carta Estratégica da Marinha Grande, 2016)

Esta que será, porventura, a chave de leitura dos próximos anos para «Pensar (e)M Grande» ou «Pensar a Marinha Grande» está a ser usada como lema de campanha eleitoral. E é uma boa escolha, admito-o!

Mas se apenas servir de «chavão» para tentar convencer de que a forma de governação que se propõe fazer é diferente da que foi feita até agora, de muito pouco acrescenta ou clarifica, porque outra coisa não se espera de quem se apresenta a votos em oposição à atual, e anterior(es), liderança(s)!

É basicamente dizer o óbvio!

Importa assim esclarecer o que se entende por «formas tradicionais de governança», o que cabe dentro do conceito de «inovação e boas práticas», o que é isso de «governança territorial» e, por fim mas não menos importante, como se poderá fazer uma «rutura» (que não é apenas teórica, mas implica a mudança de mentalidades, de formas de estar e de trabalhar, etc.) com essa realidade sem colocar em causa a estabilidade necessária à própria governação.

A mesquinhez com que se fazem muitas das discussões políticas, fazendo enormes questões que são de gestão diária corrente, ou menosprezando pela demasiada simplicidade com que se resolvem questões estratégicas, é disso bem demonstrativa.

A decisão sobre o futuro do Mercado Municipal é apenas o epílogo dessa incapacidade generalizada para se «Pensar (e)M Grande» ou «Pensar a Marinha Grande».

Quer pelo histórico desta questão, que nunca foi verdadeiramente sanada, nem política nem socialmente, quer pelo lugar central que o mercado municipal sempre teve (e deveria continuar a ter) como âncora do Centro Tradicional, a (não) discussão pública (que tantos reclamaram!) e a decisão final exarada em reunião de Câmara mais não foi que a aplicação de um «placebo» ou de um «penso-rápido» numa ferida que está demasiado exposta para poder ser assim sanada.

Quem queira citar a afirmação da Carta Estratégica que dá mote a este texto deverá também saber ler e interpretar a seguinte nota explicativa:

«A boa governança territorial visa gerir dinâmicas espaciais mediante a discussão das consequências territoriais de várias políticas, planeadas pelos atores do sector público e do privado. A meta é negociar um conjunto de objetivos comummente acordados, bem como um enquadramento de partilha de responsabilidades, mediante a utilização de estratégias e de políticas de desenvolvimento territorial.»

Precisamente quando pretensamente se anuncia uma rutura com as formas de governança tradicional e introdução de boas práticas, que sejam também inovadoras, não deixa de parecer estranho que nesta questão não se tenha ido mais longe, decidindo-se sem qualquer contextualização estratégica para o desenvolvimento territorial!

Precisamente quando pretensamente se anuncia uma governação numa lógica territorial não deixa de parecer estranho que se olhe para os problemas de uma forma isolada, localizada, sem atender a um diagnóstico integral das carências e fragilidades do Território, delineando as necessárias estratégias de investimento público para dar resposta às mesmas.

Nesta medida, pensar o Mercado Municipal sem pensar em simultâneo outros equipamentos (interface de transportes, piscinas municipais, pavilhão multiusos, loja do cidadão/balcão único atendimento, etc.) ou espaços sociais vitais, como o centro tradicional, é continuar a apostar, afinal, numa forma de governança tradicional, é adiar a integração de estratégias inovadoras e integradas!

Não é Pensar (e)M Grande!
Não é Pensar a Marinha Grande!

Publicado em Geral, Nelson Araújo | Tags , , , , | Comentários fechados em Penso-Rápido

Orçamento Participativo, mas muito, muito, pouco!

Mais um ano que se volta a falar de orçamento participativo, e este ano ainda há uma nova versão de OP jovem, é urgente que se reveja o modelo de funcionamento existente.

Ganhei o 2º Orçamento, o de 2015, e deixem-me contar em dois parágrafos como é que correu, nem é só para que o texto não fique muito longo, é principalmente porque há muito pouco para contar.

Em 2015 foram decorrendo todos os prazos definidos para o procedimento, terminando com uma sessão publica com todos os proponentes para apresentação da proposta vencedora, ficámos todos a saber que a minha proposta de requalificação do pavilhão 3 da FAE tinha sido a vencedora.

Meses depois, em janeiro, fui convidado para uma reunião, no pavilhão, com o arquiteto da Câmara para explicar o que tinha apresentado na candidatura. Mais uns meses depois fui convocado para uma reunião na câmara, com o mesmo arquiteto, para ver um anteprojeto feito com base na conversa que tínhamos tido anteriormente, depois de algumas analises, troca de opiniões e revisões voltei a reunir mais uma vez em junho, a 3ª, para tomar conhecimento do projecto supostamente final.

E pronto termina aqui a minha participação no Orçamento Participativo, nunca mais recebi qualquer informação, não fui convidado para ver a obra, não fui informado que ela tinha sido executada, não sei até se já terminou, enviei um mail para todos os órgão da Câmara e para o mail oficial do OP questionando sobre o andamento da obra, mas nunca recebi nenhuma resposta.

Como disse no inicio, muito rápido e fácil de contar.

Este ano que vai haver dois OP, revejam a ligação entre a autarquia e os proponentes, assim, fica estranho.

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«Carta aberta» aos próximos candidatos autárquicos da Marinha Grande

Car@s candidat@s autárquic@s da Marinha Grande,

quero desde já agradecer-vos a disponibilidade que manifestam para servirem o nosso concelho e as nossas juntas de freguesia. Merecem todo o meu respeito e apreço por isso. A saúde e força das democracias sempre necessitará de pessoas que ousem expor-se ao escrutínio público e que tenham a coragem de assumir a gestão e administração do bem comum e das causas públicas.

Estou certo que cada um de vós se candidata movido apenas pela nobre vontade de fazerem o melhor que vos for possível em prol da nossa terra e que a única recompensa que eventualmente não rejeitariam seria a de serem reconhecidos pelos vossos concidadãos  como pessoas íntegras, honradas, escrupulosas, desapegadas do poder, eticamente robustas e generosas na sua dedicação ao serviço público.

Contudo, recordo-vos que a perceção dominante na opinião pública não vos é favorável. Os políticos (e vós, ao candidatarem-se, passam automaticamente a integrar este grupo) não são, de uma forma geral, vistos como bons exemplos no que diz respeito à idoneidade. Acredito que essa perceção dominante esteja enviesada pelo facto dos maus exemplos serem mais visíveis, mais falados e mais mediatizados e não por serem em maior número. Não seria caso único em que toda uma classe é denegrida e negativamente afetada pelas ações de uma minoria que, por qualquer razão, dá mais nas vistas. Peço-vos por isso, resiliência e estoicismo se alguma vez a vossa imagem pública, pessoal, profissional ou familiar for injustamente salpicada pela «lama» resultante de más condutas e práticas de terceiros.

Consciente que a má opinião dos cidadãos relativamente aos políticos é altamente penalizadora para aqueles que, como vós, movidos das melhores intenções, pretendem iniciar ou continuar a sua atividade política ativa, manifesto mais uma vez o meu apreço e o maior respeito pela vossa decisão de se candidatarem. Espero muito sinceramente que as vossas candidaturas ajudem a credibilizar a atividade política; sirvam de exemplo e de inspiração para que outros também ousem avançar para cargos de administração e gestão de bens comuns; que contribuam para aumentar os índices de participação cívica, associativa e política dos marinhenses; e, consequentemente, permitam solidificar a nossa democracia em geral e as nossas autarquias em particular.

Confesso que, à medida que vou pensando nas responsabilidades que estais dispostos a assumir, mais cresce em mim a admiração pela vossa decisão.

Desejo-vos a todos um excelente trabalho em prol da Marinha Grande e que, independentemente dos resultados eleitorais que venham a obter, todos vós sejam merecedores dos maiores encómios no final deste processo. Pensem eM Grande.

Os meus melhores cumprimentos,

Nelson Gomes

P.S. Cada um de vós tem toda a legitimidade de não se rever nas minhas palavras e, caso assim seja, por favor ignorem o conteúdo desta carta. Da mesma forma, ignorarei (em termos de escolha eleitoral) as candidaturas em relação às quais me veja obrigado a retirar o benefício da dúvida (que de momento dou a todas) quanto às intenções das mesmas. A todos aqueles que eventualmente eu possa ter incomodado, desde já o meu pedido público de desculpa.

Publicado em Geral, Nelson Gomes | Tags , | Deixe o seu comentário