«Carta aberta» aos próximos candidatos autárquicos da Marinha Grande

Car@s candidat@s autárquic@s da Marinha Grande,

quero desde já agradecer-vos a disponibilidade que manifestam para servirem o nosso concelho e as nossas juntas de freguesia. Merecem todo o meu respeito e apreço por isso. A saúde e força das democracias sempre necessitará de pessoas que ousem expor-se ao escrutínio público e que tenham a coragem de assumir a gestão e administração do bem comum e das causas públicas.

Estou certo que cada um de vós se candidata movido apenas pela nobre vontade de fazerem o melhor que vos for possível em prol da nossa terra e que a única recompensa que eventualmente não rejeitariam seria a de serem reconhecidos pelos vossos concidadãos  como pessoas íntegras, honradas, escrupulosas, desapegadas do poder, eticamente robustas e generosas na sua dedicação ao serviço público.

Contudo, recordo-vos que a perceção dominante na opinião pública não vos é favorável. Os políticos (e vós, ao candidatem-se, passam automaticamente a integrar este grupo) não são, de uma forma geral, vistos como bons exemplos no que diz respeito à idoneidade. Acredito que essa perceção dominante esteja enviesada pelo facto dos maus exemplos serem mais visíveis, mais falados e mais mediatizados e não por serem em maior número. Não seria caso único em que toda uma classe é denegrida e negativamente afetada pelas ações de uma minoria que, por qualquer razão, dá mais nas vistas. Peço-vos por isso, resiliência e estoicismo se alguma vez a vossa imagem pública, pessoal, profissional ou familiar for injustamente salpicada pela «lama» resultante de más condutas e práticas de terceiros.

Consciente que a má opinião dos cidadãos relativamente aos políticos é altamente penalizadora para aqueles que, como vós, movidos das melhores intenções, pretendem iniciar ou continuar a sua actividade política ativa, manifesto mais uma vez o meu apreço e o maior respeito pela vossa decisão de se candidatarem. Espero muito sinceramente que as vossas candidaturas ajudem a credibilizar a atividade política; sirvam de exemplo e de inspiração para que outros também ousem avançar para cargos de administração e gestão de bens comuns; que contribuam para aumentar os índices de participação cívica, associativa e política dos marinhenses; e, consequentemente, permitam solidificar a nossa democracia em geral e as nossas autarquias em particular.

Confesso que, à medida que vou pensando nas responsabilidades que estais dispostos a assumir, mais cresce em mim a admiração pela vossa decisão.

Desejo-vos a todos um excelente trabalho em prol da Marinha Grande e que, independentemente dos resultados eleitorais que venham a obter, todos vós sejam merecedores dos maiores encómios no final deste processo. Pensem eM Grande.

Os meus melhores cumprimentos,

Nelson Gomes

P.S. Cada um de vós tem toda a legitimidade de não se rever nas minhas palavras e, caso assim seja, por favor ignorem o conteúdo desta carta. Da mesma forma, ignorarei (em termos de escolha eleitoral) as candidaturas em relação às quais me veja obrigado a retirar o benefício da dúvida (que de momento dou a todas) quanto às intenções das mesmas. A todos aqueles que eventualmente eu possa ter incomodado, desde já o meu pedido público de desculpa.

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Marinha Grande e a sua identidade

Falar de identidade de um povo, de uma região, é geralmente associado a um conjunto de sentimentos que fazem com que cada individuo se sinta como parte integrante de uma sociedade ou nação. Um elemento essencial deste sentimento de identidade é, muitas vezes, associado ao convívio social que promove a sua assimilação e o reforça.

Ao longo da sua história, a Marinha Grande evidenciou traços de uma identidade bastante marcante. Recordemos, a título de exemplo, o 18 de janeiro de 1934, a quinta-feira da ascensão, as suas lutas e as suas reivindicações por melhores condições de trabalho, antes e depois do 25 de abril, as madeiras do pinhal do Rei, o vidro, os moldes, os plásticos e muitas outras coisas. Todos estes elementos têm contribuído para a criação da sua identidade.

A identidade de um povo não se alimenta apenas de economia, mas também de memórias culturais que resultam do convívio social, que se implementam e que reforçam o sentimento de identidade.

Como assinalou, e bem, José Nobre num texto que publicou neste Blog, a Câmara Municipal abandonou a realização da Bienal de Artes Plásticas cuja última edição remonta a outubro de 2010. Era um evento importante dado que “mantinha a cidade no circuito das artes (…) alargava os nossos horizontes como público, como artistas ou como organizadores. Validava-nos como uma cidade ativa”.

Outro evento, ligado à economia, A Semana do Design que servia de promoção do empreendedorismo e pretendia ainda cativar toda a comunidade de forma a reunir a indústria, a cultura, a história e as suas gentes,  que se realizou em 2011 e em outubro de 2014, desapareceu.

É irónico o abandono do evento A Semana do Design que tinha como objetivos estimular a inovação, a criatividade, a tecnologia, a competitividade e o desenvolvimento de produto, quando, neste momento, o governo central reforçou o investimento no design, valorizando-o como grande promotor do poder económico (Expresso, 4/03/2017). Uma das iniciativas prioritárias deste projeto conta com o apoio do centro de engenharia e desenvolvimento de produto sediado em Matosinhos. Temos tudo neste concelho para integrar estas iniciativas. Falta-nos capacidade de intervenção e de ação.

Vivemos de eventos avulsos que a memória esquece com facilidade. Comprar espetáculos a 9 mil € cada (como foram os de Pedro Abrunhosa, Luísa Sobral, Rita Redshoses e outros mais) para 250 pessoas, festas da cidade que custam milhares, a última das quais mais de 200 mil euros, cujos artistas são sempre ao gosto dos promotores de eventos, não acrescentam absolutamente nada à cultura marinhense e muito menos ajudam ao reforço da sua identidade.

E por que não realizar festas da cidade temáticas que rapidamente se poderiam tornar uma referência para o concelho e a nível nacional? Temáticas ligadas aos irmãos Stephens, Marquês de Pombal, artesanato tradicional, gastronomia, …

Não há vontade política, não há capacidade nem ambição por parte dos executivos da Câmara Municipal de pensar, de executar projetos que perdurem no tempo e reforcem a memória e o sentimento de pertença.

 

 

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Centro Saúde Marinha Grande (II) / USF

No texto que ontem publiquei coloquei a minha dúvida sobre a forma de pergunta. Será mesmo do SAP que necessitamos?

A resolução dos problemas relacionados com a prestação de cuidados de saúde no Concelho da Marinha Grande passa pelas anunciadas USF (Unidade de Saúde Familiar) https://pt.wikipedia.org/wiki/Unidade_de_Sa%C3%BAde_Familiar

Estas já não são novas e são de vasta concretização por todo o território nacional, e que, pelo que é conhecido, são uma boa solução para falta de médicos.

Em traços gerais, uma USF é um grupo de profissionais que em conjunto cuidam duma parcela da população. Na prática um doente não tem um médico de família mas sim um conjunto de profissionais de saúde, médicos, enfermeiros e administrativos prontos para o atender.

Estas unidades, quando bem dimensionadas, garantem toda e qualquer consulta a qualquer dos utentes, assim como as necessárias folgas e férias dos profissionais envolvidos.

Pela quantidade de profissionais elas podem funcionar de forma continua durante 12 ou ou mais horas o que permite a todos os utentes terem acesso a consultas quando delas necessitam. Seja estas previamente marcadas ou de caráter de necessidade surgida por doença súbita, carecendo de atendimento urgente (o que é muito diferente de urgência).

Estas USF permitiriam acabar com as necessárias, mas falsas urgências, em que consistem a grande maioria das consultas prestadas no SAP (Serviço de Atendimento Permanente). Com as USF a funcionar em pleno, os serviços a prestar pelo SAP passam a ser residuais e basicamente só ao fim de semana, ou em alturas de picos epidémicos de doença.

Mas mais importante ainda, é a garantia de que qualquer que seja o médico a atender ele conhece, ou pelo menos tem, no sistema informático, os dados sobre as maleitas, o que lhe permite poupar tempo e ir “direto ao assunto” no que ao utente diz respeito.

Este atendimento, além de ser mais pessoal do que o prestado em qualquer serviço de urgência ou SAP, permite gerir melhor os recursos disponíveis. Gestão que permite utentes mais satisfeitos, profissionais com maior disponibilidade e poupança de recursos financeiros.

Então porque não temos as previstas USF para o Concelho da Marinha Grande a funcionar?

Quando “(re-)acordei” para as responsabilidades cívicas e me preocupei em saber, se as USF’s eram assim tão boas, porque as não tínhamos?

Foi-me dito que, para as USF funcionarem no Centro de Saúde, eram necessárias diversas obras.

Obras que a ARS não fazia por falta de verbas, e que o município não se “chegava à frente” para as fazer. Entretanto estas obras têm sido anunciadas mas na realidade não chegam e sem elas não há USF’s.

Em vez de CUIDADOS DE SAÚDE temos um edifício que não sendo “idoso”, pelo aspeto, mais parece do século XIX do que do ultimo ¼ do século passado.

Estamos na era da robótica. Algo vai mal, muito mal, quando na discussão do nosso futuro, somos confrontados com a triste realidade de não termos melhores cuidados de saúde por causa do betão. O mesmo betão, que quase nos levou à ruína com a crise e austeridade que nos foram impostas.

Luiz Branco

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Centro Saúde Marinha Grande (I) / URGÊNCIAS!

Na passada sexta feira (03/Março/2017) aconteceu mais uma manifestação em defesa do Centro de Saúde da Marinha Grande. Manifestação que, com muita pena minha por afazeres profissionais, não tive oportunidade de engrossar com a minha presença.

É indiscutível que, TEMOS de defender com “unhas e dentes” o SNS Serviço Nacional de Saúde.

Dito isto passemos ao texto. URGÊNCIAS! nome pelo qual é popularmente conhecido o SAP (Serviço de Atendimento Permanente). Manifestam-mo-nos em defesa do SAP do Centro de Saúde da Marinha Grande. Andamos a discutir o acessório em vez de defender o essencial.

Eu preferia que estivéssemos a discutir a saúde na Marinha Grande.

1º temos de acabar de vez com o mito URGÊNCIAS. No Centro de Saúde da Marinha Grande   N Ã O    H Á    S E R V I Ç O    D E    U R G Ê N C I A S.

Pergunto a quem, ao longo dos últimos anos, no concelho se deparou com necessidade de atendimento médico de urgência, e recorrendo ao 112, o que lhe aconteceu?

Façam um esforço de memória e vejam o que realmente sucedeu. Foi-lhes enviado o serviço de urgência através da unidade móvel, ambulância do INEM pintada de amarelo, que a nível nacional foi distribuída por algumas entidades entre elas os corpos de bombeiros, com a intenção de prestar os cuidados primários em caso de urgência, muitas vezes acompanhada pela VMER (Viatura Médica de Emergência e Reanimação ).

Para onde foram encaminhados os doentes / sinistrados?Para o Centro de Saúde da Marinha Grande? Não.

Foram para o VERDADEIRO serviço de URGÊNCIAS, o do Hospital Santo André em Leiria.

Portanto Serviço de Urgências tem-mo-lo, de qualidade, a pouco mais de 10 Km (desejariam muitos Portugueses por esse país fora dispor de regalia igual).

Assim sendo pergunto, É DE UM SAP, sem equipamentos auxiliares de diagnóstico e geralmente sem medicamentos de administração urgente, QUE OS MARINHENSES PRECISAM? Na minha modesta opinião acho que não.

Seria interessante, dar a conhecer à população as realidades do SAP e do Centro de Saúde da Marinha Grande.

Seria interessante, divulgar os números dos doentes que recorrem ao SAP e quais as razões da ida.

Num dos +Café feito à quatro anos pelo +Concelho na sede da Ordem, dedicado ao tema, estiveram presentes profissionais de saúde que trabalham na Centro de Saúde. Na discussão foram divulgados números que deviam ser do conhecimento geral.

Ficamos a saber que a média de doentes que recorrem ao SAP entre as 24 e as 08 é EXTREMAMENTE BAIXA estamos a falar de unidades não de dezenas de pessoas, apenas unidades, em que muitas vezes a razão da busca de atendimento é por tudo, menos por necessidade de consulta médica.

Ficamos também a saber que a maior parte dos doentes, que frequentam o serviço entre as 18 e as 24, são pessoas que o fazem neste período por razões de trabalho ou pela impossibilidade de conseguir marcar consulta.

Ficamos ainda a saber que entre as 8 e as 18 horas a grande maioria (senão a totalidade dos utentes) procura o serviço, apenas por falta de vaga para consulta no seu médico de família.

Quem, até aos dias de hoje, recorreu ao Centro de Saúde para obter consulta e a conseguiu sempre? Eu arriscar-me-ia a responder por todos NINGUÉM!!!!!!

Ou porque o médico adoeceu, ou porque está de férias, ou foi a congresso, ou ainda porque está ou esteve de serviço no SAP e por aí fora, na prática o que interessa É QUE QUANDO REALMENTE NECESSITÁVAMOS O NOSSO MÉDICO DE FAMÍLIA NÃO ESTAVA DISPONÍVEL.

Então é mesmo dum SAP que necessitamos? Não será por causa deste serviço que estamos tão mal servidos de médicos?

Grande parte dos médicos de família, que exerciam no Centro de Saúde, saíram na vigência do anterior governo, o do Passos Coelho, por causa das medidas que eram anunciadas e foram tomadas (com vista à privatização do SNS) que os iriam penalizar gravemente. Também o desaparecimento prematuro de dois médicos afectou ainda mais.

Assim chegamos a que ¼ dos residentes, ou seja mais de 10.000 utentes ficaram sem médico de família.

A saída de uns, o retardar da entrada de outros, a manifestação de utentes em 2013, a constante pressão da Comissão de Utentes, levou a que, para acalmar (ou calar) a voz da população, a ARS (com certeza por orientação superior) fizesse um contrato com empresa privada para garantir o funcionamento do SAP, com médicos contratados e assim “tapar o sol com a peneira” da falta de médicos.

O contrato não foi renovado e a partir de 31 de Janeiro – CAOS VOLTOU!!!

Luiz Branco

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Pela Cidadania

Entre 2011 e 2015 Portugal foi refém de uma estratégia de ‘salvação nacional’ liderada pelo Governo PSD/CDS-PP com o apoio de uma “Troika” constituída pela Comissão Europeia, FMI e Banco Central Europeu!

Os resultados dessa estratégia começam agora a perceber-se e a História haverá de, a seu tempo, julgar aqueles que, mesmo que de boa-fé, nos levaram por esse caminho, quando a maioria dos Cidadãos deste País reclamavam por alternativas mais justas, mais solidárias, mais democráticas!

Neste período nasceu um Movimento Cívico denominado «Que se Lixe a Troika» que promoveu, no país inteiro, iniciativas de manifestação cívica pela defesa dos Direitos, Liberdades e Garantias que a própria Constituição da República preconiza e que, então, estavam a ser massivamente postos em causa!

Depois de em 15 de Setembro de 2012 este Movimento ter congregado em Lisboa a maior manifestação cívica alguma vez registada no Portugal Democrático, que alcançou o retrocesso do Governo numa medida que colocava em causa o equilíbrio de forças entre o Capital (Empresas) e as Forças de Produção (Trabalhadores) e a própria sustentabilidade da Segurança Social Pública (porque não previa uma alternativa de financiamento da mesma), preconizando-se como o princípio da privatização da mesma, para 02 de Março do ano seguinte foi convocada nova manifestação cívica pela Liberdade e o Direito à Justiça e Coesão Social, quando a austeridade era a via única do Governo PSD/CDS-PP.

02M2013 – Fonte Luminosa em Leiria com (da esquerda para a direita): Paula Sofia Luz, Kari Guergous; José Luís Peixoto, Rui Marques Ramusga, Alexandra Azambuja)

Por circunstâncias diversas vi-me, pela primeira vez, a ser um dos rostos que coordenou a realização dessa manifestação cívica em Leiria. Sublinho, a dimensão cívica dessa manifestação! Porque o que nos movia a todos era precisamente a preocupação comum pelo nosso futuro, pelo futuro do nosso país, e não qualquer estratégia política ou partidária! Somos aliás de diferentes sensibilidades políticas/partidárias e em nenhum momento esse fato dificultou o empenho que todos tivemos naquela realização. Era por um bem maior a qualquer outro interesse ou ambição, fosse pessoal ou coletivo!

 

Hoje haverá na Marinha Grande uma manifestação igualmente cívica pela defesa de um Direito fundamental: o acesso a cuidados de saúde primários!

Assim que foi anunciada a realização deste evento, a decorrer no Centro de Saúde da Marinha Grande (18h00), fiz saber publicamente que estaria presente. Assim como vim depois a assinar a Petição Pública que corre e à qual apelo a subscrição de todos!

Fi-lo em nome da consciência cívica que me é anterior a qualquer outra condição (pessoal, política ou partidária)! Não o fiz para afrontar quem quer que seja, mas apenas porque acredito que há momentos em que devemos erguer e unir a nossa Voz para denunciar perante quem de direito o que sentimos ser uma injustiça ou um flagelo social.

A Comissão de Utentes do Centro de Saúde decidiu depois convocar uma assembleia popular também para hoje (Auditório da Resinagem, 17h30) e veio reforçar a necessidade de congregar, de unir todos os Marinhenses (sejam ou não Utentes desta Unidade de Saúde) na defesa de um Bem que é essencial ao nosso bem-estar social, à justiça e coesão social do nosso Município!

Acredito e posso dar testemunho do empenho político dos nossos Autarcas junto das Entidades Regionais e do próprio Governo!

Mas também acredito que há momentos em que se a esse empenho político se juntar a Voz do Povo, a sua força e a eficácia do seu trabalho será ainda maior!

Por isso, saibamos hoje dar testemunho dessa capacidade para colocar acima dos interesses ou ambições pessoais, políticos, partidários, a defesa Bem Comum no exercício pleno da nossa Cidadania pela Marinha Grande, por todos os Marinhenses!

Eu vou estar Presente!
E você?!

Publicado em Nelson Araújo | Tags , , , , | Comentários fechados em Pela Cidadania

Prós e Contras da Marinha Grande.

Agora que nos estamos a aproximar das eleições autárquicas e que os candidatos começam as suas campanhas o que esperamos que eles nos digam? O que é que a nossa terra tem de bom, e deve ser mantido ou melhorado, e especialmente o que é que tem de mal.

Não sendo este Blog muito participado por comentadores (talvez a questão da identificação não ajude é uma verdade) gostava de colocar à discussão o que queremos ver debatido nestas eleições. Para facilitar aceito comentários anónimos desde que o texto  seja construtivo.

Eu diria que podemos concordar que os acesso são bons, podemos chegar a qualquer ponto do pais em poucas horas. A oferta de habitação também, casas com qualidade a bom preço. Não tenho muito bem a noção de como está o saneamento básico, mas diria que anda muito perto dos 90%, será? A rede de agua é realmente uma prioridade, está velha e de um dia para o outro podemos ter graves problemas. Estamos bem servidos de rede de internet\telefones\TV, rede de gás e eletricidade (quando há tempestade falha um pouco, mas não sei se será um problema da MG).

Ou seja, no que diz respeita a habitação e serviços de apoio, tirando a agua não me parece que esteja mal.

Na área desportiva não estamos mal também, temos imensas modalidade com excelentes resultados nacionais, talvez o futebol, desporto das massas não seja muito representativo, creio que precisamos de uma piscina para a população em geral, como a de Pataias.

Na área cultural temos atividades todas as semanas, organizadas pelos clubes e algumas pela camara apesar de me parecer que a programação da casa da cultura não está adequada à população da terra, talvez pela dimensão da sala são espetáculos par um pequeno publico, e o pouco que vai parece-me não ser da terra.

Neste campo faltam nitidamente grande eventos, grandes Espectáculos, grandes festas, grandes feiras, momentos que junte muita gente num agradável convívio. As festas da Cidade têm sido um bom exemplo de que as pessoas da Marinha aderente a estes eventos, o dia de hoje , Carnaval, é o mau exemplo do que não se faz, se não fosse o dia marcado no calendário ninguém sabia que hoje era terça feira de Carnaval.

A saúde, publica, é sem duvida um problema, há empresas de saúde a trabalharem bem, o hospital está muito perto mas o centro de saúde não funciona, não é só uma questão de médicos é também de gestão, é necessário reformular tudo o que tem a ver com marcação de consultas, com atendimento, com acolhimento…

E o comercio, o chamado centro histórico, se é que assim se deve chamar, precisa de uma avaliação de qualidade. Se houver mais comercio na Marinha os Marinhenses usam? E onde? no centro ou por exemplo na recuperação, muito mais fácil, do núcleo Atrium, Centro Comercial Lumar, edifício Soares. Em tempos questionava se seria muito caro, e viável, cobrir as ruas da zona histórica  e criar um centro comercial naquela zona? Possivelmente era caro, mas já foi feito esse estudo? EXEMPLO (com as devidas proporções claro).

Estendi-me no texto, querem comentar, contrariar, acrescentar, reformular?

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Acessibilidades – Passeios e Passadeiras

Qualquer cidade moderna DÁ (ou vende) aos seus citadinos o que necessitam para se sentirem bem em todos os seus afazeres.

À Marinha Grande, é-lhe reconhecida a capacidade de gerar emprego, mas será que esta é por si só a condição cinequanon para ser a escolhida para ter a casa de família para viver?

Claro que não. As pessoas procuram mais. Gostam de sentir que os seus impostos são usados para lhe proporcionar melhores condições de vida.

Eu e muitos amigos, costumamos caminhar ás segundas e quartas-feiras à noite em grupo pelos parques, largos, ruas e becos da Cidade.

Infelizmente, não raras vezes temos de abandonar os passeios para contornar obstáculos.

Não. Não se trata de carros mal estacionados, porque desses também os há mas que, estão “LEGALMENTE” MAL ESTACIONADOS em cima dos passeios (Av. 1º de Maio). Mas o que realmente é mau, mesmo muito mau, é termos passeios com pouco mais de 1 metro de largo, que se encontram OCUPADOS EM TODA A SUA LARGURA por contentores de recolha de lixo ou ilhas de reciclagem.

Só na rua 25 de Abril, naquela que durante muito tempo foi a principal entrada na Marinha Grande temos 3, sim TRÊS, recipientes de RSU nestas condições.

Gostaria de referir que o PEM, Programa de Eficiência Municipal no qual tive o gosto de participar e o desgosto de ver as minhas comparticipações (e as dos outros) colocadas não sei onde, talvez no lixo, ouve um tema em discussão com o titulo Passeios 100 %, em que participei.

Na discussão deste tema defendi que todos os lugares da Marinha, desde o Pilado ao Engenho, de Albergaria à Embra e Picassinos, da freguesia da Moita à Amieirinha, Guarda Nova à Pedra, Fonte Santa e Camarnal, entre outros na cidade e na Vieira de Leiria, deviam ser ligados por passeios. Aliás dei como exemplos os dos concelhos vizinhos Batalha, Porto de Mós e Leiria onde encontramos diversos quilómetros de estradas ladeadas com pelo menos um ou até dois passeios.

Defendemos que o método de construção de passeios, não é exclusivamente sobrelevando um zona da via e pavimentá-la com calcada portuguesa ou pavê de cimento. Existem muitos mais materiais e formas de criar zonas de circulação reservadas a peões.

Também foi considerado e defendido que estas vias para peões podiam e deviam ser de uso partilhado entre passeio e ciclovia, aliás temos deste tipo de passeio excelentes exemplos, no Casal Galego e entre a Guarda Nova e São Pedro de Moel.

Porque as passadeiras de peões também são passeios, deve ser colocado maior cuidado no seu projecto e construção, não raras vezes ou não existem ou encontram-mo-las em locais completamente desadequados, e sem iluminação. Existe iluminação própria para este tipo de via, até na Av. Vitor Galo existe um desses candeeiros, porque não são usados noutros locais?

Caixotes do lixo nos passeios a obstruir a passagem dos peões, POR FAVOR NÃO. Hoje as ilhas de Resíduos Sólidos Urbanos e ilhas de reciclagem “enterradas” no subsolo são vulgares, mas também ainda é vulgar a recolha nocturna porta-a-porta (por exemplo em Lisboa). Há alternativas usem-mo-las.

Luiz Branco

Publicado em Geral, Luíz Ferreira Branco | 3 Comentários

TPC: Que impacto na vida dos alunos e das famílias?

“O essencial faz-se na aula …

Ou deveria fazer-se na aula!” (Meirieu, 2002)

Há muito que o tema Trabalhos para Casa (TPC) me preocupa e me tem levado a alguma reflexão perante as queixas de pais com quem contacto. Por exemplo, esta quinta-feira, aquando da minha ida ao judo levar o meu neto, ouvi o desabafo magoado de uma mãe. Dizia-me ela: “é inacreditável que o meu filho traga TPC durante os cinco dias da semana e ainda ao fim de semana. Nem é muitas vezes pela quantidade, mas sim pela sua falta de nexo. Esta semana, fez fichas de avaliação na terça, quarta e quinta-feira. Foi um stress, na terça-feira nem quis vir ao judo. Hoje, acabaram as fichas e os TPC continuaram. Gostava de um dia ouvir o meu filho dizer «Mãe, hoje não trago TPC. A professora disse para brincarmos e sermos felizes» ”.

Uma coisa estou certa, muitos pais andam desesperados perante a carga de TPC diários que os filhos levam para casa, embora também conheça outros que são apologistas dos mesmos. Este assunto não é novo e muitos autores de referência se têm debruçado sobre ele. Em Portugal, são conhecidas as posições do psicólogo e professor universitário Eduardo Sá, bem como do pediatra Mário Cordeiro, que, de um modo geral, são de opinião que os TPC pouco adiantam ao desempenho escolar dos alunos.

Segundo refere o estudo “aQeduto” realizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e em colaboração com o Conselho Nacional de Educação, mais TPC não significa, necessariamente, maior sucesso escolar. Este estudo indica que os alunos portugueses gastam, em média, 5 horas por semana a fazer os seus TPC, enquanto os finlandeses gastam 3 horas e os espanhóis 6 horas. A média mais alta regista-se na Polónia e na Irlanda. O que é interessante verificar é que não são nos países em que os alunos gastam mais tempo a fazer TPC que é visível melhores resultados em testes internacionais, por exemplo, no Pisa, um Programa Internacional de Avaliação de Alunos. Nestes testes, a Finlândia tem uma pontuação de 519 pontos, enquanto a Espanha tem 484, Portugal subiu no ranking e obteve 501 pontos, em consonância com a média da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico que engloba 34 países), 500 pontos. Singapura é o país que melhores resultados obteve, 564 pontos.

Recentemente, num artigo no Expresso (11-02-2017) um reconhecido professor espanhol, César Bona, considerava que os TPC são “o braço invasivo da escola e dos seus piores vícios em casa. É o absoluto esquecimento da infância”. Referia ainda neste artigo que os TPC impedem que as crianças façam coisas com os pais, mexem com o tempo interno das famílias, carregam os laços familiares de tensão e de uma sensação de perda de oportunidade.

Na minha perspetiva, os TPC, tal como os que são enviados para os alunos realizarem em casa, não melhoram o desempenho escolar dos alunos, nem proporcionam que os alunos ganhem mais autonomia. Os TPC só poderão ter algum contributo na vida dos alunos se, entretanto, houver uma mudança na sua conceção. Não para repetir o que fazem depois de 9 horas de escola, 7 em horário letivo, mas TPC que sejam um desafio para pais e filhos colaborarem.

Por exemplo, ao fim de semana, decorar uma poesia que a professora envia ou uma escolhida pelos pais, para ler na segunda-feira ao começar a aula; ler um livro de histórias e fazer a sua apresentação à turma; levar para a escola caixas que tenham em casa, abri-las, ver as suas planificações, as faces, as arestas, os vértices. Observar quantos gramas têm os pacotes de manteiga que guardam no frigorífico, as caixas de cereais e outros produtos, e comparar com as dos colegas; pesar e medir a família e construir gráficos na escola; levar a planta da sua casa, a localização da sua rua, a posição da escola, observar as ruas paralelas e perpendiculares; procurar informação sobre um trabalho a realizar na sala de aula; ler um jornal e retirar uma notícia que lhe agradou e partilhá-la na sala de aula com os colegas; observar números num jornal e interpretá-los no seu contexto… Tanta coisa que se podia trabalhar como TPC e que entusiasmaria pais e filhos!

Sabendo nós que mais de 60% do que os alunos aprendem hoje é fora da escola, era tempo de repensar o verdadeiro papel dos TPC na sua vida e o seu contributo para o seu desempenho escolar e gosto pela escola.

Como diz o professor César Bona, “o tempo voa, a infância passa num instante. Se as crianças passarem as tardes a trabalhar, vão perder coisas verdadeiramente importantes”.

Gostava muito que os meus netos tivessem tempo para viver a sua infância, tivessem oportunidade de levar verdadeiros TPC para casa e pudessem usufruir das tardes que passam comigo na pesquisa de tudo o que enunciei. Pudessem, se possível, ter direito de apenas BRINCAR…

 

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A corrida autárquica já começou

Aurélio Ferreira deu o tiro de partida para a corrida autárquica que terminará em outubro próximo, assumindo-se como candidato à presidência da Câmara.

Depois de uma leitura atenta ao discurso que proferiu na cerimónia de apresentação, na noite de sexta feira, não se vislumbram grandes diferenças no pensamento do vereador independente, com uma ou outra exceção. Destacamos uma: há quatro anos, Aurélio distanciou-se dos partidos, hoje diz que espera deles “um papel muito mais construtivo”.

Esta é, de facto, uma evolução no discurso do candidato a presidente que percebeu que a única possibilidade que tem para vencer a eleição passa por não hostilizar os partidos uma vez que há uma larga franja de eleitores que ora vota no PS ou opta pela CDU, PSD e BE que é determinante para o resultado final.

É este eleitorado, cerca de duas mil pessoas, que podem fazer toda a diferença e a candidatura de Aurélio Ferreira sabe disso.

A história diz-nos que o futuro presidente deverá ser o cabeça de lista do PS ou da CDU. Mas a mesma história, ou melhor, os números, dizem-nos que João Paulo Pedrosa perdeu as eleições com mais de seis mil votos e Álvaro Pereira as ganhou com cerca de quatro mil e setecentos votos.

Mas não é só o PS a perder votos: a CDU, com Barros Duarte, somou cerca de seis mil e quinhentos votos e Vítor Pereira, em 2013, não chegou aos quatro mil.

Já o PSD ultrapassou a fasquia dos 3.000 votos com António Santos em 2009 e, quatro anos depois, com o mesmo candidato, ficou-se por 1.680.

Veja-se a volatilidade dos números e é neste tabuleiro que Aurélio Ferreira quer «jogar». Aliás, o candidato do MpM andou em campanha nos últimos três anos e meio e quer agora capitalizar esse trabalho de sapa e atingir o número de votos suficientes que lhe garanta a eleição. A consegui-lo, o que não será fácil, será com maioria relativa uma vez que é provável que os mandatos sejam distribuídos por pelo menos três forças. Resta saber se o PSD conseguirá manter o seu vereador – temos sérias reservas – e se o +Concelho do controverso Carlos Logrado se apresentará ao eleitorado isoladamente ou se alguns dos seus elementos serão integrados num partido ou movimento.

A corrida ainda agora começou e já há tanto para dizer.

Texto publicado na edição de 23 fevereiro de 2017 do JMG

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Gosto muito de números, da sua história, da sua magia … mas alguns incomodam-me

Com alguma frequência, ao colocar a várias pessoas a pergunta “o que é a Matemática”, a resposta quase imediata é “a Matemática é o estudo dos números”. Esta resposta espontânea está de algum modo ligada à história da Matemática e à sua visão tradicional. De facto, até ao ano 500 a.c., a matemática era, efetivamente, o estudo dos números. Era, sobretudo, muito útil para resolver situações do dia-a-dia.

Por volta de finais do séc. XIX, a Matemática passou a ser o estudo do número, da forma, do movimento, da mudança, do espaço e das ferramentas matemáticas utlizadas neste estudo (Devlin, 2002).

No Séc. XX houve uma explosão da atividade matemática impressionante. No ano de 1900, todo o conhecimento matemático a nível mundial poderia caber em cerca de oitenta livros. Hoje, seriam necessários perto de 100 000 volumes para incluir toda a informação que conhecemos.

Os números servem, essencialmente, para resolver problemas do quotidiano, fornecer dados sobre o mundo à nossa volta permitindo que o interpretemos, quantificar, classificar, realizar medidas, identificar … O que seria de nós hoje sem, por exemplo, o código de barras? Os números são úteis porque toda a atividade humana envolve algum tipo de contagem.

Os números também têm em si alguma magia, uns mais do que outros. Eu gosto da magia do número sete, que, segundo Pitágoras, é um número sagrado, perfeito e poderoso. Por exemplo: o arco-íris tem 7 cores; são 7 as notas musicais; a semana tem 7 dias; 7 meses com 31 dias; 7 maravilhas do mundo; a lua tem 4 fases de 7 dias; cada rosa tem 7 pétalas; os gatos têm 7 vidas; 7 os pecados mortais; 7 sacramentos; missa do 7.º dia; 7 saias da Nazaré; Lisboa tem 7 colinas ….

Nas histórias: “O cavalinho de sete cores”; “A branca de neve e os 7 anões”; “Pequeno Polegar – o casal tem 7 filhos”… e muitas outras que não cabem neste espaço.

Mas há números que me incomodam:

Em 2013, havia sete banqueiros que recebiam mais de um milhão de euros de remuneração; em 2014, eram dez e em 2015 catorze banqueiros ultrapassaram esse montante.

Neste mesmo ano, na Finlândia, só houve um banqueiro a ganhar mais de um milhão de euros e Portugal ocupava a 18.ª posição, tendo atrás de si, entre outros, a Noruega, a Suécia e a Dinamarca.

Nos CTT, em 2015, o fosso salarial entre o CEO e a média dos trabalhadores era de 21,8 vezes. Em 2016, passou para 45,3 vezes esse fosso. Provavelmente, uma recompensa pela má gestão da sua administração que entretanto se verifica.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2014, 20% da população com maior rendimento recebia, aproximadamente, 6 vezes o rendimento dos 20% da população com rendimento mais baixo.

Em 2015, 26.7% da população residente em Portugal encontrava-se em risco de pobreza ou exclusão social. Em 2016, 19% das pessoas residentes em Portugal estavam em risco de pobreza, ou seja, mais de dois milhões. Em 2016, 30% dos portugueses ganharam menos de 600€.

– Em Portugal, mais de 450 mulheres foram assassinadas nos últimos doze anos devido à violência doméstica. Só em 2016, 23 foram vítimas dessa violência. 42% das participações por violência doméstica estão relacionadas como consumo excessivo de álcool. A Marinha Grande é o concelho do distrito de Leiria onde existem mais casos de violência doméstica e a maior percentagem de doentes psiquiátricos.

– Portugal tem a maior taxa de insucesso escolar na União Europeia. Em 2014, onze mil alunos do 2.º ano de escolaridade ficaram retidos. Existem, atualmente, mais de 150 000 alunos que ficam retidos no mesmo ano de escolaridade. Cerca de 35% dos jovens portugueses com 15 anos já tinham sido retidos pelo menos uma vez (a média dos países da OCDE é de 13%), e mais de 7,5% apresentam no seu percurso mais de uma retenção (CNE, 2015).

O abandono escolar no Ensino Básico é frequentemente precedido de casos de insucesso repetido e retenções. O abandono escolar precoce, entre os 18 e os 24 anos que deixou o ensino sem concluir o 12.º ano, subiu no último ano para 14%, depois de vários anos a descer como indica o gráfico seguinte.

                                                                                                                  (Expresso, 11/02/2017)

Pensar (e)M Grande na Marinha Grande era ter uma Carta Educativa atualizada, onde se pudesse observar o que se passa relativamente a alguns dados apresentados, em especial os relativos à Educação, e onde fosse possível verificar como se perspetiva o futuro tendo em conta a realidade dos dados obtidos. Era tempo, este é o tempo urgente de a Educação ser uma prioridade neste concelho.

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